5.3.10

Globo, mídias sociais e transmídia


William Bonner não está apenas - brincando - no Twitter. Suas interações pelo perfil @realwbonner também não são parte do programa Jornal Nacional. Ele está aproveitando esse espaço para "vivenciar" e compreender as minúcias deste novo canal de comunicação.

A própria rede Globo, já faz algum tempo, vem realizando pequenas - experiências - de relacionamento com as redes sociais. Uma novela já incorporou um personagem blogueiro. Alguns programas criaram seus próprios blogs. Blogueiros foram convidados para eventos e reuniões. Abaixo uma foto de um bate-papo de blogueiros com o diretor Luiz Villaça:

Até o convite para a Tessalia Serighelli (@twittess) participar do Big Brother 10 não foi por acaso. Sem dúvida foi uma tentativa de gerar repercussão nas redes sociais e estimular os usuários do Twitter a acompanharem o programa.

A Globo quer se renovar. Quer descobrir uma nova televisão. Uma TV interativa, envolvida com as redes sociais. Na verdade, a febre dos programas de reality show já eram um princípio disso tudo.

E não pára por aí. A Globo também está atrás do conceito de transmídia. O americano PhD em Comunicação e Artes, Henry Jenkins, promoveu esse conceito em seu livro Cultura da Convergência. A proposta é de tornar o conteúdo independente do meio, ou seja, uma novela não precisa ficar restrita ao meio televisivo. A novela poderia ter parte da sua trama transportada para uma revista impressa ou para um hotsite. O próprio Henry Jenkins esteve recentemente no Brasil, à convite da Globo, para dar uma palestra aos funcionários da rede de televisão.

Ao aplicar esse conceito, a Globo pode por exemplo, estimular e aproveitar melhor seu portal na internet. Tenho a impressão inclusive, que o "paredão" da Tessalia no Big Brother gerou um índice de votação pelo hotsite maior do que o normal. Faça uma projeção do que isso significa em relação à venda de publicidade no portal da Globo. Além do intervalo na TV, a Globo pode lucrar também com anúncios no portal. Sacou?


Todas esses novos conceitos aplicados no processo de comunicação, geram um novo modelo de consumo de publicidade.

É o caso da campanha "Esse produto é Brother". Essa promoção criada pela marca Procter & Gamble aplica todos esses conceitos e faz uso desse novo modelo de consumo de publicidade.

Dez consumidores da marca que se cadastrarem no site www.produtobrother.com.br serão sorteados para passar um final de semana confinados na casa do Big Brother Brasil. Durante o final de semana será realizada uma prova e o ganhador leva R$ 500 mil.

A divulgação dessa promoção está acontecendo tanto na televisão, como nas redes sociais, procure por aí e você verá vários blogs comentando a ação.

Bem diferente do que um simples comercial no intervalo da televisão...

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22.2.10

#offtopic: Lá vai uma camisa oficial do Palmeiras!


Não, esse não é um blog sobre futebol. O mais perto que posso chegar do esporte é talvez comentar alguma estratégia de marketing esportivo.

Nem tão pouco sou torcedor do Palmeiras. Moro próximo do Palestra Itália e do Pacaembu, mas não sou fanático por futebol.

Apesar de tudo isso, não poderia perder a oportunidade de presentear um leitor do e-Code. Explico: ganhei uma camiseta infantil do Palmeiras; porém como já passei dos 12 anos de idade e também ainda não tive filhos, resolvi sortear a camiseta aqui no blog.

Trata-se de uma camisa oficial do Palmeiras (modelo 2008, uniforme 2 - foto acima), tamanho infantil (12A). Se você tem filhos, primos, sobrinhos, etc; e quer participar do sorteio, basta publicar no seu Twitter a frase abaixo:

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eu quero! RT @ericmessa: não sou palmeirense, mas vou sortear no blog uma camisa oficial (@sitePalmeiras) - http://migre.me/kQES
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O serviço oferecido pelo site Sorteie.me irá registrar todos que publicarem essa frase e na noite desta quarta (24) farei o sorteio!

Alguns minutos após a publicação do tweet, o seu nome já estará registrado na relação do serviço Migre.me. Clique aqui para conferir.

É preciso adicionar-me no Twitter?
Não. Muitas promoções semelhantes a essa pedem para que você passe a seguir um determinado usuário do Twitter. No meu caso, peço apenas que colabore na divulgação do blog. Prefiro que sigam meu perfil no Twitter apenas aqueles que realmente se interessam pela minha área de atuação, e gostam do que publico ali. Assim posso garantir um alto índice de relevância na minha lista de seguidores. Afinal, o meio digital não é um meio de massa!

Para concluir: essa não é uma ação de marketing esportivo em mídias sociais criada para divulgar a marca do Palmeiras, mas fica a dica! :-)


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[updated 24/02] Resultado do sorteio:
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Como prometido, o sorteio foi realizado na noite desta quarta, e o ganhador da camisa foi o Luis Fernando (@fergerminare). Parabéns!

Aqui está o link para confirmar o resultado do sorteio.


Ação de branding em redes sociais:
Fiz esse sorteio apenas para ilustrar uma mecânica bem simples que pode ser adotada para divulgar uma marca (ou um produto).

Nem este blog, nem o meu twitter, são referências para assuntos relacionados à esporte ou ao time do Palmeiras. Porém, mesmo com essa baixa relevância, durante os 3 dias da promoção, mais de 70 pessoas participaram e republicaram no twitter a frase que divulga a marca do palmeiras e o link do post.

Qualquer um pode conferir o número de seguidores de cada um desses participantes para fazer uma estimativa de pessoas impactadas pela mensagem. O número potencial é de mais de 10.000 impactos.

E quem prestar atenção na lista de pessoas que republicaram, verá que a mensagem foi capaz de alcançar um grupo de torcedores do Palmeiras.

Ou seja, um usuário comum da rede é capaz de impactar um volume considerável de pessoas.

Imagine por exemplo, se uma marca escolhesse estratégicamente cerca de 20 pessoas para sortear um novo produto. Imagine se fossem selecionadas pessoas realmente influenciadoras do público-alvo e ao invés de uma única pessoa, realizar cerca de 20 sorteios simultâneos!?! O número de replicadores seria bem maior que o obtido na minha experiência, e além disso, seria multiplicado por 20!

Esse é o novo paradigma da publicidade. Convidar e estimular o próprio consumidor do produto a participar do processo de comunicação. Que tal tentar pensar a partir desse novo paradigma durante o planejamento e a criação da sua próxima campanha?

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2.2.10

Ferme des Journalistes: vivendo apenas de redes sociais


É possível manter-se atualizado, tendo acesso apenas às redes sociais? O Twitter e o Facebook podem oferecer as mesmas informações que veículos de massa como o jornal, o rádio ou a televisão?

Essas são as perguntas que 5 jornalistas (quatro franceses e uma suiça) colocaram à prova em uma experiência que faz parte do projeto "Huis clos sur le Net".

Eles permanecerão essa semana (01-05/fevereiro) isolados em uma casa de campo na França, e prometem atualizar-se apenas com as notícias recebidas pelo Twitter e Facebook.

Toda a experiência será relatada no blog do projeto (http://huisclossurlenet.radiofrance.fr).

Particularmente acredito que as redes não substituem por completo os veículos de massa tradicionais. E sem dúvida, os 5 jornalistas pretendem provar isso. Por outro lado, já é evidente que uma boa parte das informações do nosso cotidiano serão distribuídas pelos próprios usuários. Quem já era usuário do Twitter na época da morte do Michael Jackson ou mais recentemente, do terremoto no Haiti, sabe do que estou falando.

Talvez esse grupo de jornalistas seja capaz de mostrar que as redes sociais são muito eficientes para transmitir, com grande velocidade, informações relevantes para a maioria dos participantes de determinada rede.

Há inclusive, quem diga que grande parte das notícias em breve circularão principalmente pelas redes sociais. É disso que se trata, por exemplo, o estudo "How Our News Sources Changed in the Last 200+ Years" que apresenta o gráfico utilizado no início deste post.

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25.1.10

Exposição X Geolocalização


Há cerca de 2 anos venho insistindo na ideia de que vivemos uma "era da exposição".

A sociedade aos poucos foi evidenciando seu lado narcisista e egocêntrico. O desejo de ser visto e reconhecido foi então, incorporado pelos modelos comerciais de comunicação.

Um dos marcos desse fato, aconteceu nos anos 90, com o surgimento dos programas para televisão rotulados como "reality show". Ali, pessoas comuns conquistavam a exposição pública tão desejada.

No meio digital, foram as redes sociais, que a partir de 2001, começaram a ganhar o gosto de pessoas espalhadas pelo mundo inteiro. Elas criavam seus "profiles" e tornavam públicas, dezenas de informações que até então, eram de cunho privado.

Mas não foi apenas o caráter narcísico e egocêntrico da sociedade que estimulou o crescimento das redes sociais no mundo. Foram importantes também o desenvolvimento das culturas da colaboração e da participação, que por sinal, ganham a cada década que passa, mais valor dentro da nossa sociedade.

O fato é que principalmente nos últimos dois anos, passamos a lidar com situações interessantes como a reorganização do limite entre público e privado. Claro, esse tema já é discutido há séculos, mas nos últimos dois anos é assunto do dia-a-dia da população.

Em 2001, vi amigos considerarem absurda a ideia de alguém criar um perfil no Orkut e tornar público suas preferências pessoais, como os restaurantes mais freqüentados ou mesmo seus filmes preferidos e time de futebol. Hoje, essas mesmas pessoas não só possuem essas informações publicadas no Orkut, como em outras 2 ou três redes sociais.

Aparentemente, 2010 será mais um ano marcante. Ao que tudo indica, veremos ao longo do ano a popularização de diversas ferramentas que fazem uso do recurso de geolocalização.

Desde 2007, já começaram a aparecer recursos que indicavam sua atual posição geográfica dentro da rede, mas na época era ainda muito "estranho" tornar pública tal informação. Alguns dos serviços de geolocalização criados já nem existem mais.

Por outro lado, desde então esse assunto foi colocado em discussão, enquanto desenvolvia-se novos aparelhos e serviços baseados na tecnologia do GPS.

Chegamos então em 2010, ano em que o GPS já é um recurso facilmente encontrado em celulares. Além disso, o meio digital também já oferece diversas possibilidades de aplicação dos dados de geolocalização.


O Google Latitude (http://www.google.com/latitude)é um desses serviços que rapidamente vem ganhando novos adeptdos. Aqueles que possuem celulares equipados por com GPS, podem ter sua posição geográfica atualizada constantemente no Google Maps.

Essa informação é acessível apenas para uma lista de contatos autorizada, que eventualmente pode estar na mesma região.

Outro serviço que cresce rapidamente é o Foursquare (http://foursquare.com). Trata-se de uma rede baseada em geolocalização, mas com foco em estabelecimentos públicos. A partir do celular você indica o local onde se encontra naquele momento (restautante, bar, hotel, etc) e pode acessar informações publicadas por outros usuários da rede que já passaram por lá, indicando sua opinião sobre o estabelecimento.

Sem dúvida há ainda muito o que se criar com essa ferramenta de geolocalização. Em paralelo, também há muito o que se discutir sobre os limites entre o público X privado e essa tal de "era da exposição".

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19.1.10

[drops] O que é código QR?

O código QR é um sistema de codificação de dados inventado no Japão para substituir o código de barras. Ele permite codificar um número maior de informações e não exige um aparelho específico (infra-vermelho) para decodificação.

Por conta da sua praticidade criou-se aplicativos para celulares capazes de decodificar imagens do código QR e com isso surgiu um novo campo de atuação para o QR: a publicidade.

Muitas campanhas publicitárias passaram a aproveitar o código QR como uma espécie de ponte que interliga a comunicação impressa com algum conteúdo virtual oferecido na internet.

No Brasil uma das primeiras campanhas que utilizava o código QR foi realizada pela Fast Shop. Mais tarde outras marcas como Claro e Citroën também utilizaram o recurso.

Como criar uma imagem de código QR: existem alguns sites que geram essas imagens; um deles é o http://qrcode.kaywa.com

Como decodificar a imagem: abaixo relacionei alguns links de aplicativos para celular que decodificam imagens do código QR:
- Quickmark
- Kaywa
- Neoreader (iPhone)
- Barcode Scanner (Android)


MAIS SOBRE:
- Código QR: a evolução do código de barras
- FastShop faz primeiro anúncio brasileiro com QR code
- Agora foi a vez da Claro usar o código QR
- Código QR: agora foi a vez do Citroën C4 Picasso
- Nova Schin utiliza código QR
- Código QR: o case do Pet Shop Boys

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4.1.10

AEIOU: a operadora que passou desapercebida em 2009


Exatamente um ano atrás fiz um post sobre a Aeiou, operadora de celular mais barata de São Paulo. O ano de 2009 passou e pouco se falou dessa operadora desde então.

De qualquer maneira, aparentemente não se trata de uma operadora que pretende concorrer diretamente com as líderes desse mercado: sua cobertura é pequena; atende apenas a cidade de São Paulo. Não oferece ainda acesso à internet ou qualquer outro recurso extra. Faz apenas o básico: ligações para fixo/celular e envio de SMS.

Assim, sua estratégia é clara: para manter os custos baixos, a Aeiou fez um baixo investimento em comunicação e oferece um serviço básico; o suficiente para atender o consumidor padrão.

Com esse perfil, seu público-alvo não parece ser a classe A/B. Provavelmente a operadora quer conquistar as classes baixas, que não possuem assinatura pós-paga e costumam carregar valores baixos em seus chips pré-pagos.

Mas qual a razão da baixa penetração da nova operadora, já que o custo do minuto chega a ser 50% mais barato do que a concorrência? Tenho dois palpites: a falta de conhecimento pelo público da existência dessa operadora e o uso de canais de contato inadequados.

- Falta de conhecimento: a única ação de comunicação aconteceu no lançamento, quando a operadora abriu inscrições na internet para interessados em receber um chip com R$30 de crédito para conhecer o serviço.

Pois bem, essa ação de comunicação teve repercussão na época, mas vale lembrar que as classes C/D/E ainda não possuem grande participação na internet. Teoricamente, para atingir esse público, é preciso trabalhar com mídias de massa (jornal / revista / TV). Porém, investimentos em mídia de massa custa caro e iria aumentar o custo final do serviço.

Porém, investimento em comunicação é necessário, ou então passaremos mais um ano sem que o público-alvo saiba da existência da Aeiou.

Uma solução possível é investir em ações de custo mais baixo como ações de guerrilha ou mesmo ações em redes sociais afinal, as classes C/D/E ainda utilizam muito pouco a internet, mas quando acessam, costumam ficar a maior parte do tempo nos comunicadores (messenger) e redes como o Orkut. Ações dirigidas para esses canais podem gerar um bom resultado.


- Canal de contato: o único espaço de contato que a operadora oferece atualmente é seu site na internet. E como já citei, esse não é o canal mais adequado para o público-alvo. Para oferecer um canal de contato por telefone seria necessário sustentar a estrutura de uma central de telemarketing, que obviamente exigiria um alto investimento.

Enquanto isso não é possível, a Aeiou foca sua imagem no jovem, que é mais ligado às novas tecnologias, mas ainda fica dependente do avanço natural do meio digital na sociedade. Claro, um dia a porcentagem de excluídos digitais será pequena, mas a Aeiou conseguirá manter-se até lá?

Eu, de fato, não estou necessariamente preocupado com a operadora. Interessa-me mais é mostrar para aqueles que usam serviços pré-pagos que poderiam gastar praticamente 50% menos com seus celulares.

Por esse motivo, fica o meu convite: se você conhece alguém que não costuma sair da cidade de São Paulo e utiliza o celular apenas para realizar chamadas ou enviar SMS, apresente-lhe os serviços da Aeiou e mostre como solicitar o chip e fazer as recargas através do site www.meuaeiou.com.br.

Quem sabe assim também colaboramos para o fim dos preços abusivos das grandes operadoras.

Para saber mais sobre o serviço da operadora Aeiou, clique aqui e veja o outro post.

MAIS SOBRE:
- Novas operadoras de celular em SP
- Aeiou: chegou o chip do celular (programa beta-teste)
- Comparativo entre as operadoras de celular de SP
- Aeiou é a nova operadora de telefonia móvel de SP
- Operadora "aeiou" desafia grandes com modelo atípico de celular

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18.12.09

FOLHA e ESTADO: cada vez mais idênticos [updated]


Acima uma imagem com as capas dos dois jornais mais importantes de São Paulo. É comum (e compreensível) ver a mesma manchete em ambos os jornais. Mas desta vez até a composição visual era semelhante na Folha de S. Paulo e no Estado de São Paulo.

A escolha da imagem, o corte e a posição em que a foto é aplicada na página do jornal. Todas essas características dificultam inclusive a percepção de que se trata de jornais diferentes.

Se interessar, clique aqui para ver um post anterior em que aprofundo esse assunto.


[updated 19/12/09] Apenas para reafirmar o tema deste post, repare na imagem da capa e também na manchete dos dois jornais, na edição do dia seguinte (sábado).

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26.11.09

Operadora de celular "branded"


A evolução foi rápida. Começamos com a moda do Branded Content, em que programas de TV, rádio, cinema e afins eram não só patrocinados, mas totalmente idealizados por uma marca. Também conhecidos como Branded Entertainment, esses produtos mostraram a possibilidade da "publicidade incorporada ao conteúdo". Talvez o exemplo mais famoso sejam os curtas da série "The Hire", produzidos por diretores de cinema renomados para a marca BMW, em 2001/02.

Algum tempo depois, as marcas começaram a investir ainda mais nesse espaço e surgiram as Branded Radios. Em 2008 escrevi um post em que comentava o surgimento em São Paulo da Oi FM, Mit FM e Rádio SulAmérica.

Também já existia lá fora as Branded Televisions, como a Audi TV. E claro, não podemos esquecer das tradicionais revistas personalizadas para marcas/produtos que hoje talvez já estejam chamando de Branded Magazines.

Enfim, notem que "branded" é moda. E cada vez mais as marcas ocupam os meios de comunicação.

Quem olha para esse cenário não se assusta com as notícias que começaram a circular: o Pão de Açucar será a primeira marca no Brasil a lançar uma operadora de celular virtual.

Nos EUA esse modelo é conhecido como MNVO (Mobile Network Virtual Operator). Lá existe hoje em operação a Virgin Mobile USA.

Aqui, aparentemente muito em breve, poderemos comprar chips pré-pagos do "Pão de Açucar Celulares". Sem dúvida uma estratégia de comunicação interessante, mas que acredito ser adequada somente quando o posicionamento da marca casa com esse formato.

É provável ainda que as marcas ofereçam esse produto apenas por um tempo determinado, pois o modelo de negócios consiste na compra de um grande pacote de uma operadora de celular e depois a revenda para os consumidores da marca, ou até oferecer gratuitamente pequenos pacotes de minutos aos seus clientes, trocar por créditos de fidelização, etc, etc.

Para a publicidade, nasce mais um espaço de branding ainda sem nome, quem sabe chamem de Branded Mobile Network.



MAIS SOBRE:
- Pão de Açúcar se prepara para virar operadora de celular
- O Pão-de-Açúcar será operadora virtual de celular
- País terá operadora virtual de celular

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19.11.09

Afinal, e essa tal de "mídia social"?


Hoje um grupo de alunos pediu que eu respondesse algumas perguntas para uma pesquisa sobre a influência das redes sociais na área da comunicação. Resolvi publicar aqui o questionário e minhas respostas, pois o blog e-Code discute esse assunto constantemente, mas poucas vezes é didático como um "FAQ". Então lá vai:

Você participa de quais redes sociais?
Atualmente estou ativamente no Twitter, Facebook, Orkut, Linkedin, Flickr, Youtube e Blip.fm. Outras redes mantenho perfil mas visito com pouca frequência como Sonico, Last.fm, Issuu, Slideshare, Jaiku, Identifi.ca, etc.


Por que faz uso dessas redes?
Para compreender esses novos modelos e processos de comunicação e antecipar tendências no campo da publicidade e do marketing.


Você acredita que, no futuro, as mídias sociais ocuparão o espaço da televisão?
Não. A televisão é um veículo audiovisual de fácil recepção e que trabalha a partir de um modelo de comunicação passivo. É adequado para entreter a sociedade da metrópole e dificilmente o ambiente digital substituirá esse modelo.

O que vai acontecer é que o modelo televisivo não será transmitido mais por ondas analógicas, mas através da rede digital (a mesma da internet). Porém apesar de ser transmitida pela rede digital, a linguagem “televisiva” continuará sendo a mesma. Trata-se apenas de uma evolução tecnológica.


Por que as mídias sociais são tão importantes em um case como, por exemplo, “The Best Job in The World”?
Este é um caso em que as redes sociais foram aproveitadas para uma ação de comunicação publicitária. Por isso tais redes são consideradas como uma mídia. Por se tratar de um ambiente novo. Todas as ações publicitárias que ali circulam atualmente chamam mais atenção do que a mídia tradicional, e essa já é uma das razões para o sucesso da campanha.

Mas a razão principal é que as redes sociais atraem um perfil de público que caso seja o mesmo de determinada marca/produto, sem dúvida terá um índice de retorno e retenção maior do que uma mídia de massa.


Como as mídias sociais influenciarão no futuro as mídias tradicionais?
Não só as redes sociais, mas a própria cultura da internet - que propicia um usuário mais ativo e participativo - tem estimulado a produção de conteúdos interativos também em meios tradicionais como o rádio e a televisão. Consequência desta hipótese é o sucesso dos diversos programas de reality-show.

No campo do marketing e da publicidade, o uso das redes sociais em ações de comunicação será capaz de estimular a conversação sobre marcas e produtos nesses ambientes digitais. Aquela dica de um novo produto que antes era transmitida de um amigo pra outro, hoje começa a acontecer também através das redes sociais, ampliando e agilizando sua repercussão.


Como você explicaria o constante crescimento das classes C e D nas redes sociais?
Considero algo inevitável. O carro não era um veículo de locomoção acessível para todas as classes sociais quando ele surgiu. O avião, hoje tem uma penetração na classe C muito superior do que há 30 anos atrás.

No campo da comunicação não é diferente. Toda tecnologia de sucesso ganha adesão da sociedade conforme seu custo vai diminuindo.

Quando surgiu, a televisão era um aparelho restrito aos mais afortunados. Em poucas décadas a tecnologia barateou e hoje a televisão é um aparelho de consumo de todas as classes sociais.

Muito provavelmente algo semelhante deve acontecer com o meio digital nas próximas décadas.


Qual a sua opinião a respeito de marcas que fazem parcerias com blogueiros para divulgar conteúdo e informação como no caso em entre o apresentador Marcelo Tas e a Telefônica?
O caso do Marcelo Tas ganhou ainda mais repercussão por causa da imagem que ele construiu ao longo do tempo de alguém idôneo.

É preciso fazer várias considerações ao se analisar o envolvimento de uma pessoa com determinada marca.

É muito semelhante ao que acontece na televisão. Hoje vemos atores e atrizes como garotos propagandas de marcas e produtos, mesmo que eventualmente, eles não utilizem o produto no seu dia-a-dia. Ainda assim eles reafirmam os benefícios daquele produto e convidam o telespectador a experimentá-lo.

Por outro lado, ver um jornalista desempenhar o mesmo papel parece um tanto contraditório, por conta da isenção que sua profissão exige. Mas se bem adequado, acredito que é possível aproveitar a seriedade do jornalista para vender um produto, mesmo que seja o próprio jornal em que ele trabalha.

Pois bem, nas redes sociais as regras são semelhantes, com a diferença que não é preciso ser uma celebridade para participar das ações publicitárias em redes sociais.

Já escrevi um post em que comento inclusive, que atualmente todos nós, consumidores, somos potenciais “mídias” para as marcas que consumimos (veja aqui).


Qual a sua opinião sobre a influência das redes sociais na vida das pessoas? Ela é negativa ou positiva?
Acredito que toda nova tecnologia traz consigo seus pontos positivos e negativos. Vivemos uma era do excesso de informação. Nesse ambiente é impossível não sofrer também com o excesso de comunicação, excesso de trabalho e esgotamento psicológico.

Por outro lado, toda tecnologia da comunicação surge para ampliar a interação entre as pessoas de uma sociedade. Em especial o ambiente das redes sociais isso é visível e inegável. Hoje já existem milhares de pessoas trabalhando colaborativamente com outros profissionais espalhados ao redor do mundo.

Muitos estão se relacionando com pessoas que nunca viriam a conhecer sem o advento da internet.

Enfim, acredito que assim como o telefone e a televisão foram capazes de moldar uma sociedade; a internet e as redes sociais serão capazes de reestruturar essa sociedade.

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25.10.09

TV 2.0: Youtube e @realwbonner


Esse post nasceu por conta de dois livros, recém lançados, que ganhei. O primeiro foi "Jornal Nacional: modo de fazer", do apresentador William Bonner; e o outro foi "YouTube e a Revolução Digital", de Jean Burgess e Joshua Green.

Joshua Green é coordenador de pesquisas do Convergence Culture Consortium no MIT (Instituto de Tecnologia de Massachussets). Ele esteve no Brasil, nesta última semana, para uma palestra em que comentou sobre como o YouTube ajudou a transformar as características da nossa sociedade. Também participei de um bate-papo com ele sobre a relação das empresas e seus consumidores nas redes sociais. Segue aqui algumas reflexões:

As mudanças na cultura da sociedade, em relação ao modo como ela obtém informação, são facilmente perceptíveis. Hoje já não esperamos mais que um jornal ou a televisão, nos diga quais são as notícias que precisamos conhecer. O número de assinantes do jornal cai com a mesma regularidade que os telespectadores de um telejornal.

Cada vez mais, vejo pessoas que possuem o hábito de acessar o Youtube para conferir quais foram os vídeos mais vistos ou comentados do dia. De certa forma, podemos considerar isso como uma estratégia para identificar quais foram os temas relevantes daquele dia.

Por outro lado, o Youtube também busca não só inovar, mas atender às necessidades do seu usuário; e com isso, ganhar espaço da televisão. Prova disso é a transmissão ao vivo do show do U2 que acontecerá ainda hoje, daqui há cerca de 2 horas. Ou seja, assim que eu terminar esse post, ao invés de ligar a televisão para assistir ao show, terei apenas que abrir uma nova janela do navegador e acessar o canal do U2 no YouTube.


Para seguir com minha reflexão, considere também que cresce a cada dia, o número de usuários de redes como o Twitter e o Fecebook, espaços em que é comum a prática de troca de links sobre fatos e notícias do dia-a-dia.

Ou seja, evoluímos para um novo modelo de troca de informação em que as redes sociais ocupam o lugar dos veículos de massa, sem necessariamente substituí-los. Ou seja, não quero anunciar a morte do Jornal Nacional; apenas mostrar que o YouTube é hoje um concorrente direto para programas como do William Bonner.

Ele, sem dúvida, já percebeu isso, tanto que está diariamente marcando sua presença no Twitter, para conhecer e vivenciar um pouco desse novo espaço de comunicação.

O Jornal Nacional, assim como a própria rede Globo, sempre transpareceu uma imagem repleta de seriedade e sobriedade. Pouco se soube das particularidades de William Bonner, até hoje. O sucesso do perfil @realwbonner no Twitter se dá justamente, pela oportunidade de conhecer um outro lado do apresentador que não fica evidente durante o telejornal.

É provável que William Bonner já tenha lido coisas como o Manifesto Cluetrain, e tenha notado como as empresas e instituições estão, aos poucos, começando a buscar um relacionamento mais informal com seu público. Daí vem o sucesso nas empresas de modelos como o blog e as redes sociais.

A participação frequente do editor-chefe do Jornal Nacional no Twitter, talvez seja uma forma de entender como ele poderá aproveitar isso tudo a favor do seu telejornal.

Quem sabe, no futuro, tenhamos um espaço de notícias nascido a partir de um mash-up de Youtube, Twitter e Jornal Nacional. Isso sim seria um verdadeiro telejornal da TV 2.0. Espero que o editor-chefe desse canal/programa seja o William Bonner.

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23.10.09

NokiaCamp 2009: conhecimento e mobilidade


A Nokia é uma das marcas da sua área que mais investe em pesquisa. Diferentes ações permitem à Nokia estar sempre acompanhando as tendências do mercado.

No Brasil, uma dessas ações aconteceu no ano passado. Foi o primeiro NokiaCamp. Um grupo de cerca de 50 blogueiros, moderadores de fóruns e comunidades do Orkut foram convidados para participar de um encontro fechado, para trocar conhecimento e impressões sobre mobilidade.

A Nokia sem dúvida aprendeu bastante sobre seu consumidor nesse evento. Tanto que neste sábado (24) acontece a segunda edição.

Mas desta vez ele cresceu. Serão cerca de 200 convidados que poderão experimentar serviços de mobilidade, promover debates e participar de uma conversa com o Pekka Somerto, VP Global de Marketing Digital da Nokia.

O evento foi dividido em duas partes. A parte da manhã é reservada para um grupo pequeno de 50 pessoas. Estas tiveram todas as despesas pagas para participar do evento e ganharam um aparelho n97. Este grupo participará o bate-papo com o Pekka Somerto.

O período da tarde é para todo o grupo de 200 pessoas, em que acontecerão os debates sobre convergência, mobilidade, etc. E no final do dia uma apresentação do humorista Danilo Gentili.

No blog da Nokia foi criada uma área exclusiva do evento. Quem se interessar pode também acompanhar as impressões do evento através da tag #nokiacamp09.

Quem trabalha na área de comunicação sabe que antigamente era comum fazer pesquisas qualitativas com os consumidores da marca. A intenção era ouvir as impressões dos consumidores sobre o produto e detectar tendências. Hoje não se faz mais isso. Hoje se faz um NokiaCamp!

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15.10.09

O "efeito Obama" nas eleições de 2010 no Brasil


Hoje acompanhei a palestra de Ben Self, estrategista da campanha digital de Barack Obama. A palestra faz parte do seminário sobre Estratégia de Comunicação e Marketing da The George Washington University. É patrocinado pelo Grupo Santander Brasil. Acontece hoje e amanhã aqui em São Paulo.

Na abertura, o reitor da The George Washington University, Christopher Arterton, lembrou que a democracia vive uma fase de transição; o que aconteceu nos EUA está acontecendo mundialmente. É verdade. A era digital e sua influência na construção política do país não é exclusividade dos americanos. Sem dúvida as próximas eleições no Brasil em 2010 não serão como as anteriores.

Ben Self foi um dos principais planejadores das ações online da campanha de Barack Obama. Foram investidos cerca de US$500 milhões apenas em ações digitais. Para que esse post não fique longo demais, vou comentar e ressaltar apenas alguns pontos principais:

- O estrategista disse que o e-mail foi uma das principais ferramentas da campanha online. A captação do mailling começou cerca de 2 anos antes das eleições.

- O e-mail foi a ferramenta utilizada para manter contato com os eleitores, atraí-los para o hotsite da campanha, que na verdade era uma rede social exclusiva da campanha, denominada "MyBO".

- A teórica de comunicação Lucia Santaella, costuma dizer que transitamos da cultura das massas para uma nova cultura digital que possui características próprias. Chris Anderson, em seu livro "A Cauda Longa", fala de uma "desmassificação" gradual da economia. Ben Self provou essas teorias. Durante a campanha foram arrecadadas cerca de 2,9 milhões de doações em valores abaixo de US$100.

- Depois que alguém faz uma doação, seu engajamento e envolvimento cresce numa proporção infinitamente superior ao valor doado. Ao invés de investir e correr atrás de alguns grandes doadores, vale mais conquistar milhões de pequenos doadores.

- Engajamento, fidelização e mobilização devem ser objetivos constantes em todas as ações. A rede social "MyBO" oferecia diversas ferramentas para estimular o engajamento, dentre elas, o recurso que permitia observar sua posição no mapa e as pessoas que estavam próximas da sua região e também faziam parte da comunidade.

- O Youtube foi uma ferramenta essencial para expor a opinião e projetos do candidato Obama. Seu discurso publicado no Youtube foi o mais visto até então em toda história das eleições americanas.

- Envolvimento emocional foi a palavra-chave da palestra de Ben Self. Todos os vídeos da campanha que mostravam o candidato ou eleitores continham algum apelo emocional. Acredito que este seja um fator importante para observar em nosas eleições de 2010. Será que os políticos brasileiros conseguirão trabalhar corretamente o valor emocional para envolver e engajar seus eleitores?

- Outra mudança de paradigma é a relação informal com o público. No Brasil, a rede Globo, que sempre impôs um perfil sóbrio, agora se vê em meio a um novo modelo de relação com o público, em que personalidades como Luciano Huck e Willian Bonner possuem uma comunicação direta e informal através do Twitter (@huckluciano e @realwbonner). No campo da política brasileira, os primeiros a trilharem esse mesmo caminho foram Soninha Francine (@SoninhaFrancine) e José Serra (@JoseSerra_).

- A campanha de Obama foi recheada de vídeos no YouTube mostrando seu dia-a-dia e seu relacionamento com a família e amigos. Uma maneira de transmitir informalidade e transparência.


- Frequência e regularidade no contato com os eleitores garantia o envolvimento. Aqueles que se cadastraram na rede recebiam constantemente, mensagens com algum novo conteúdo, seja um projeto, uma solicitação de doação ou a indicação de um novo vídeo no Youtube.

- Últimas recomendações: É importante fazer uso dos diversos ambientes digitais (Orkut, Facebook, Twitter, etc) mas é preciso orientar as pessoas para um único local. De preferência, seu próprio hotsite, local em que terá maior liberdade para desenvolver as ações.

- É preciso evitar a qualquer custo o discurso institucional. O modelo do release está velho e ultrapassado. Ninguém gosta de receber uma comunicação em que não fique claro a pessoa que enviou. Não encaminhe uma mensagem assinada por um departamento. Nomeie alguém que assinará aquela mensagem em nome do departamento.

Bom, estes foram apenas alguns dos tópicos abordados. Nota-se que há muito o que mudar para 2010. Particularmente, acredito que o maior desafio seja estabelecer um relacionamento informal e construir um envolvimento emocional com o eleitor; já que vivemos uma cultura de negação política. A corrupção e a falta de credibilidade dos nossos políticos desfavorecem o engajamento público.

Por fim, deixo o convite para a leitura de outro post onde comentei sobre a possível "poluição virtual" que veremos assim que começarem as campanhas eleitorais.

Nesse mesmo post, deixo a dica: "nas redes sociais é preciso ser discreto e adequado. Ouvir mais e falar menos. É preciso dar o poder de voz ao eleitor."

Como acompanhar o evento:
Durante todo o dia de hoje e amanhã, é possível acompanhar a cobertura realizada pelos meios oficiais e também a cobertura colaborativa, realizada pelos participantes/ouvintes. Abaixo os links:
- Os principais fatos do evento serão registrados no blog O Efeito Obama e no blog Valor das Ideias, do Banco Santander, que está realizando a cobertura oficial com a colaboração do Alexandre Inagaki (blog Pensar Enlouquece);
- Há também o perfil no twitter @valordasideias e @efeito_obama. Ambos enviam flashes sobre cada uma das palestras durante todo o dia;
- E a cobertura não-oficial, também pelo twitter, pode ser acompanhada a partir das tags #efeitoobama e #valordasideias

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14.10.09

[drops] Alguns dos próximos eventos sobre comunicação digital

As próximas semanas estão repletas de eventos relacionados à área de comunicação. Todos eles, sem dúvida, terão seu foco nos meios digitais, especialmente as redes sociais.

- Seminário "O Efeito Obama" - 15 e 16/10 - evento sobre Estratégia de Comunicação e Marketing da The George Washington University e patrocinado pelo Grupo Santander Brasil. Estarão presentes no evento, para falar sobre a campanha de Barack Obama, os estrategistas Ben Self, sócio-fundador do escritório de tecnologia Blue State Digital e Jason Ralston, sócio da Ralston Lapp Media. Veja mais em http://www.oefeitoobama.com tag: #efeitoobama

- New Brand Communication 2009 - 20 e 21/10 - dentre os palestrantes, estão pesquisadores e profissionais de agências de destaque internacional como Joshua Green (MIT - Massachusetts Institute of Technology), Matt Smith (The Viral Factory – Londres) e Benjamin Palmer (Barbarian Group – Nova York). Em paralelo às palestras, acontecem os Campfires, painéis de discussão com temas como RP 2.0, Transmídia e Storytelling, etc. Veja mais em http://nbc09.com.br tag: #nbc09

- iMasters InterCon 2009 - 07/11 - diversas palestras acontecem paralelamente em 3 "ambientes" com focos próprios: Business, Tecnologia e por fim, Criação e Inovação. Clique aqui para ver a programação completa. Fora do auditório acontecem ainda as desconferências, que este ano foram denominadas Cyber.Punks e seguem sob coordenação de Gil Giardelli. Veja mais em http://www.intercon2009.com

Se eu conseguir, pretendo comparecer em todos os eventos para observar quais são as tendências do mercado da comunicação. No InterCon 2009, além de ouvir, também serei um dos convidados para expor um painel de 20 minutos na desconferência Cyber.Punks. Fica aqui o meu convite para essa desconferência!

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3.8.09

Bate-papo com Mark Zuckerberg, fundador do Facebook


Eu e mais um pequeno grupo de autores de blogs, fomos convidados a participar de um bate-papo informal com Mark Zuckerberg, que faz uma visita ao Brasil.

Segue aqui um post com minhas impressões sobre o bate-papo. Tentarei abordar algumas das perguntas que foram encaminhadas pelo Twitter enquanto estávamos no bate-papo, mas não vou me preocupar em tocar em todos os assuntos que foram discutidos, afinal teremos também outros blogs comentando esse mesmo bate-papo. No final do post vou relacionar os links dos artigos escritos pelos blogueiros convidados.

Achei muito interessante a visão que Mark tem do Facebook. Na conversa, ele tentou enfatizar de várias maneiras, que sua rede não é apenas um serviço para conectar pessoas. Ele não vê interesse na simples conexão de pessoas. É necessário que ocorra a interação e o compartilhamento de informação para que a rede ganhe valor e ofereça algum benefício aos seus usuários.

Assim, dentro do Facebook, todas as iniciativas que surgem buscam atender à filosofia de promover o compartilhamento.

Outro fator importante é a preocupação em deixar na mão do usuário a decisão pelo o que fará parte do conteúdo do Facebook, e isso acontece de várias formas. Uma delas são os aplicativos do Facebook. Seja um game ou um serviço, qualquer aplicativo produzido por terceiros pode ser livremente incorporado ao banco de aplicações do Facebook, mas ele só ganhará usuários caso haja interesse espontâneo.

A construção de uma interface adaptada ao idioma do usuário também segue essa mesma lógica. Ao invés de construir uma interface própria em outro idioma, o Facebook optou por construir um aplicativo que permite ao próprio usuário construir o banco de tradução da interface. Ou seja, não foi imposto ao usuário quais seriam os idiomas que fariam parte da interface. É a iniciativa dos próprios usuários que faz surgir interfaces para cada idioma.


Um ponto que chamou a atenção é a aparente falta de estudo específico sobre o perfil dos usuários conforme sua região. Isso se dá justamente pela preocupação em não privilegiar nenhum grupo de usuários. Parece que não há, por exemplo, nenhum estudo sobre as diferenças do comportamento ou necessidades específicas do usuário brasileiro em relação ao resto do mundo. Mas isso não significa que sua participação não seja notada.

A equipe do Facebook notou, por exemplo, que as aplicações de interação sociais que estimulam a brincadeira atraem bastante os usuários brasileiros. Mark também comentou que o volume de usuários do Brasil dobrou nos últimos dois meses. Esse dado chamou tanta atenção que estimulou a visita dele ao Brasil, porém ele não sabe dizer quais as razões desse rápido crescimento.

Nós, nesse sentido, talvez tenhamos mais informações. Sabemos que no Brasil a rede mais popular até então é o Orkut e essa popularização se deu justamente a partir do momento em que sua interface passou a oferecer a opção de escolha do idioma.

Sabemos também que a popularização trouxe um grave problema: o excesso de informação não solicitada. O spam cresceu e os usuários começaram a buscar alternativas.

Dentre as diversas redes existentes hoje, em geral os usuários brasileiros estão migrando para o Twitter e o Facebook. Por isso provavelmente o aumento na frequência de novos usuários nos últimos meses.

Mark inclusive comentou sobre essa possível concorrência entre o Twitter e o Facebook. Para ele, não há muito com o que se preocupar pois ele entende que o Twitter não oferece o mesmo serviço. Na sua visão, o Twitter é uma ferramenta muito específica, utilizada essencialmente para a troca de dicas e novidades. Já o Facebook é uma plataforma repleta de serviços, todas com foco no compartilhamento.

Minha impressão é que Mark é definitivamente uma pessoa muito jovem que segue uma estrutura de pensamento condizente com um paradigma diferente daquele que o mercado empresarial está acostumado a seguir. Ele não demonstrou uma visão de mercado rígida com foco exclusivamente no lucro (a qualquer custo).

Sua vinda ao Brasil tem como objetivo estimular a produção de aplicativos que sejam incorporados à sua plataforma. E com isso, promover a criatividade para que apareçam novos serviços de interação e compartilhamento.

Amanhã, às 11h, ele fará uma palestra em São Paulo que será transmitida pela web em um canal dentro do próprio Facebook. Para acessar, entre em http://apps.facebook.com
/livefrombrazillive/
.

Por fim, clique aqui para ver um pequeno trecho em vídeo em que Mark fala sobre a participação do Facebook na China.

E abaixo o vídeo feito pela produção aqui no Brasil após o encontro em que Mark comenta sua passagem por São Paulo e fala do Desafio de Aplicativos:



QUEM TAMBÉM FALOU SOBRE:
- Mark Zuckerberg, criador do Facebook, no Brasil
- Mark Zuckerberg chega ao Brasil e já foi entrevistado pelo Link
- Facebook lança o 1º concurso para desenvolvedores do Brasil
- A importância de o fundador do Facebook dar palestra e curso no Brasil semana que vem
- Um encontro de blogueiros com Mark Zuckerberg, fundador do Facebook
- Mark Zuckerberg e as chances do Facebook no Brasil
- Sabatinando Mark Zuckerberg - Encontro com o criador do Facebook




Crédito: última foto de CDN_Interativa

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17.7.09

Na internet só tem lixo?


No livro “O Culto do Amador”(1), de Andrew Keen é evidente o uso que faz de uma linguagem provocativa, própria para gerar polêmica e com isso, ganhar toda a mídia espontânea que vêem obtendo desde o lançamento do livro nos EUA em 2007.
Com um tom apocalíptico, logo no início do livro o autor chega a dizer que os usuários da web 2.0 são tão criativos quanto os macacos e estão poluindo a internet(2).

Nesta época de entusiasmo pela internet, repleta de evangelistas da era da web 2.0, é bom ver um discurso apocalíptico, capaz de estimular uma reflexão apolítica.
De fato, a grande maioria do conteúdo publicado na internet é produto da cultura popular, sem qualquer referência ou credibilidade. Sob a bandeira da democratização, conteúdos impróprios e a pirataria invadem o espaço virtual. Para Keen, a consequência é “menos cultura, menos notícias confiáveis e um caos de informação útil”(3).

Não contesto a afirmação, mas escrevo esse post, pois acho importante fazer uma ressalva: “O Culto do Amador” esquece de considerar que não vivemos o fim, mas na verdade, o princípio da formação de um novo modelo de comunicação. Tudo o que vivenciamos hoje é ainda parte de um processo de construção de uma nova linguagem, e inclusive, uma nova cultura.

Keen também se esquece de ampliar seu olhar. A internet está repleta de conteúdo superficial. OK. Agora pergunto: e a televisão? Quanto já não foi discutido e teorizado sobre a falta de qualidade no conteúdo da televisão? Aliás, o já antigo discurso entre Apocalípticos e Integrados tocava nesse assunto. Isso muito tempo antes do surgimento dos meios digitais.

Se ainda sob a geração da TV, repleta de lixo televisionado, fomos capazes de formar nossos intelectuais, sem dúvida a geração digital também saberá identificar seus intelectuais em meio ao lixo virtual.

Também concordo que a blogosfera está cada vez mais ocupada por profissionais de comunicação – da publicidade e relações públicas - todos buscando divulgar a marca de seus clientes e acobertar comentários negativos registrados por consumidores. Pior ainda são os falsos registros, que na verdade, não passam de publicidade disfarçada.

Mas tudo isso é constantemente vigiado e denunciado por outros blogs que acabam criando a cultura da pesquisa e do olhar crítico. Quem estuda comunicação sabe que já não somos mais como o consumidor ingênuo de publicidade dos anos 60. O olhar crítico para a mensagem publicitária vem se desenvolvendo e não deve parar.
Outro argumento do livro que quero ressaltar é a cultura do “copy&paste”. Sem dúvida, cresce rapidamente entre os jovens estudantes o costume da cópia de trechos encontrados na internet a partir de pesquisas superficiais no Google. Sem dúvida esse é um dado que comprova o “emburrecimento” da nova geração, mas no meu ponto de vista essa também é uma prova do nosso atual estado de adaptação para uma nova cultura.

No twitter, por exemplo, já nasce uma cultura muito forte da referência e da citação da fonte original. A comunidade que usa essa rede social assumiu um compromisso de citar as fontes e vigiar aqueles que não o fazem. A meu ver, considero esse fato como consequência da própria interface, mas também como uma evolução, pós era “copy&paste”, em que muitos blogs copiavam conteúdo de outros autores sem citá-los.
Como diz a semioticista Lucia Santaella, o meio digital exige do seu usuário transformações perceptivo-cognitivas (4), ou seja, há toda uma estrutura cognitiva, se preferir, uma espécie de “know-how”, necessário para lidar com o ambiente digital.

Em geral, é esse fator que diferencia indivíduos que fazem parte das gerações pré e pós era digital. E é esse fator que Andrew Keen deixou de lado. Ainda estamos no meio do processo. Ainda estamos construindo essa estrutura cognitiva e cultural. Teremos ainda que errar muito, mas nenhum desses erros representa o fim da nossa sociedade.

No último capítulo, Keen incita o leitor a “proteger o legado de nossa mídia convencional e 200 anos de proteção aos direitos autorais”(5). Como? Proponho exatamente o oposto. Vamos expor os limites do novo paradigma digital e negociar uma reforma dos tradicionais modelos sócio-econômicos. Precisamos de outro Skype, outro MP3, para continuar a refletir e promover mudanças em nosso mercado.

Bom, encerro por aqui esse lixo. Mais um post no mar da blogosfera.


Notas:
(1) KEEN, Andrew. O culto do amador. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2009
(2) idem, p.08
(3) idem, p.20
(4) SANTAELLA, L. Navegar no ciberespaço. São Paulo: Paulus, p.37, 2004.
(5) KEEN, Andrew. O culto do amador. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., p.173, 2009


MAIS SOBRE:
- Review do livro O culto ao amador
- CRÍTICA: O CULTO DO AMADOR
- Em 2009, “O culto do amador” não fede nem cheira

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6.7.09

Qual o propósito disso tudo?

Qual, exatamente, o propósito disso tudo? Vivemos o dia-a-dia, trabalhamos, nos relacionamos com outras pessoas, interagimos. E qual o propósito disso tudo?


Nascemos para viver em sociedade. Viver em sociedade implica na participação de situações que estimulem a interação entre as pessoas. Criamos um sistema complexo de consumo que envolve toda a sociedade. Esse sistema opera sob uma dinâmica cada vez mais veloz, ocupando grande parte da vida de cada um de nós.

Durante esse processo de “relacionar-se” com o outro surgem os envolvimentos afetivos, passamos a amar e odiar outras pessoas, por fatos e situações, que vistos à distância perdem completamente a importância. Alguns morrem por razões que, vistos fora daquele contexto, não fazem sentido algum.

Somos por fim, elementos solitários, individuais, imersos em um mundo enorme de outros indivíduos, solitários. Para compensar essa solidão, escolhemos viver em sociedade. O “relacionar-se” nos move do estado de solidão para um estado onde é possível compartilhar experiências com o outro.

Essa troca de experiências acontece através de um processo de comunicação, mas nesse caso, a comunicação no seu sentido mais amplo possível, pois não se trata de uma comunicação verbal exclusivamente, mas toda a forma de comunicação, inclusive aquelas que envolvem os sentidos.

Numa época movida pela ênfase dos sistemas de comunicação descentralizados, é apropriado comparar cada indivíduo como um sistema próprio de comunicação, que faz a distribuição da informação para determinado número de outros seres, que por sua vez são distribuidores de informação para outros grupos de indivíduos e assim por diante. Temos então uma rede complexa formada por indivíduos interligados, em que o processo de distribuição de informação seria uma alusão ao processo de relacionamento existente entre tais indivíduos.

Com o olhar atento para essa ilustração, podemos entender como funciona, por exemplo,a disseminação de um novo dado dentro de uma cultura, ou como uma determinada cultura é influenciada por outra, pois afinal essa rede está ligada de diferentes maneiras com outras redes geograficamente distantes. Essas ligações são os espaços em que podemos inserir os veículos de comunicação, mas aqui adentramos a um campo específico da teoria da comunicação que não é o caso nesse momento.

De volta ao tema, vamos discutir essa dinâmica que criamos, essa dinâmica na qual estamos imersos e dificilmente conseguimos parar para refletir sobre ela. Pois o processo de reflexão exige daquele que pretende praticá-la um esforço para criar um distanciamento, o que, de fato, é impossível.

O mínimo distanciamento obtido já causa uma angústia por se colocar num espaço estranho àquele de origem. O distanciamento implica na visão também distanciada de toda a dinâmica de relação dos indivíduos. É o problema vivido pelos antropólogos.

O distanciamento gera um estado de incapacidade de ação, onde nos portamos como um cientista, que observa uma experiência por detrás de uma barreira de vidro, que esta ali posta para protegê-lo, mas também o impede de participar ativamente da experiência, pois o vidro separa o cientista do seu objeto de estudo.

A permanência nesse estado de reflexão vai ampliando esse distanciamento, causando um afastamento cada vez maior desse indivíduo em relação à sua sociedade. Por fim ele não mais se reconhece como pertencente àquela sociedade, não mais compreende sua dinâmica, aceita suas regras ou compreende a evolução de sua história, torna-se assim, um indivíduo, um solitário em um estado de pleno vazio, sem por fim, ter descoberto o propósito disso tudo.

OBS: Esse texto foi escrito em 2006, porém publicado somente agora, para "acompanhar" a matéria de capa revista Veja: "Nos laços (fracos) da internet".

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1.7.09

Mesbla, aquela dos anos 90, volta em versão online [updated]


As décadas de 80 e 90 ficaram registradas por marcas como Mappin e Mesbla, duas lojas de departamento que fizeram muito sucesso mas faliram ainda nos anos 90. Ambas pertenciam ao empresário Ricardo Mansur.

Pesquisando marcas dos anos 90, acabei descobrindo por acaso que Mansur pretende trazer de volta a marca Mesbla, aparentemente para levantar um site de vendas online para concorrer com o Submarino e Lojas Americanas.

Resolvi conferir e realmente existe a informação de "site em construção" no endereço mesbla.com.br. Além disso o nome de Ricardo Mansur aparece como responsável pelo domínio que hoje está hospedado na Locaweb.

Pelo visto a empresa B2W (Submarino e Americanas) deve ganhar um concorrente de peso, já que a marca Mesbla chega com um importante valor agregado construído no passado.

Dizem que junto com a Mesbla, Ricardo Mansur deve trazer de volta também a marca Mappin, porém no registro do endereço mappin.com.br, o nome da empresa responsável bem como o provedor que hospeda são diferentes do endereço mesbla.com.br e não aparece em lugar algum o nome de Ricardo Mansur.

Na comunidade do Orkut soltaram o boato de que a loja online da Mesbla entraria em operação hoje, 1 de Julho! Será? Acho que fariam uma campanha de lançamento antes, mas de qualquer maneira, quem quiser conferir, basta entrar em mesbla.com.br.

[UPDATED 12h00] Já estamos no meio do dia 1o de Julho e não entrou nenhum site no ar. Aparentemente o boato era falso. Caso tenha alguma informação que possa colaborar com esse post, deixe um comentário!

[UPDATED 09/11/2009] Cinco meses depois, o portal Meio & Mensagem trouxe mais informações (clique aqui) sobre o caso. Na matéria é dito que o lançamento do mesbla.com.br está previsto para abril de 2010.

No endereço já existe uma página anunciando o breve retorno da marca. Quem desejar pode cadastrar seu e-mail neste site para receber informações.


MAIS SOBRE:
- Volta da Mesbla em 2009
- A volta da Mesbla?
- Marca Mesbla se blinda contra ações para voltar ao mercado
- Mesbla está de vbolta


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22.6.09

Ainda sobre as capas do ESTADÃO e da FOLHA

Na semana passada publiquei um post comentando as imagens que estampam as capas dos jornais Folha de S. Paulo e Estado de São Paulo. A intenção foi mostrar como diferentes imagens, porém sobre o mesmo assunto, podem induzir a interpretações diversas. (veja aqui o post)

Aproveitei para comentar outro fato: frequentemente vejo a mesma imagem estampada nas capas dos dois jornais. Fato corriqueiro; já que atualmente ambas utilizam a mesma agência de imagens.

Aqui vai outro caso: nesta segunda tanto a Folha de S. Paulo como o Estado de São Paulo resolveram dar destaque para o jogo Brasil x Itália.

Claro, o principal personagem daquele jogo foi Luis Fabiano, nada mais óbvio. Porém, a foto escolhida pelos dois jornais faz parte de algum momento tão importante? Por qual razão escolher a mesma imagem do jogador?

A resposta para essa pergunta provavelmente não passa apenas por questões e critérios jornalísticos, mas sem dúvida é preciso considerar o novo mercado da informação, o domínio das agências de notícia e imagens, a concorrência entre os jornais e suas respectivas estratégias de marketing.

No momento de escolha da capa, não se trata apenas do assunto mais relevante. Relevância é sem dúvida apenas um dos fatores.

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14.6.09

FOLHA x ESTADÃO: quando as imagens falam

A partir dos anos 90, a globalização ganha força e com ela intensifica-se uma estratégia de marketing particular: a concorrência pela aproximação.

Traduzindo: ao invés de buscar a diferenciação, o concorrente procura incorporar as mesmas características da marca líder de mercado, afim de conquistar o consumidor.

Os jornais também vivem essa mesma realidade. Quem acompanha por exemplo, a briga entre Folha de S. Paulo e Estado de São Paulo sabe que já é comum e frequente a publicação da mesma imagem na capa das edições dos dois jornais.


Acima aparece um exemplo das capas publicadas no dia 08/06/2009. Ambas tratavam do acidente aéreo ocorrido no dia 31/05/2009 com o airbus A330 da Air France (voo 447). Reparem que foi publicada exatamente a mesma foto! Não se trata de um caso isolado, na verdade os dois jornais coincidentemente passaram a publicar a mesma foto de capa com certa frequência.

Isso é consequência da própria globalização, citada anteriormente, que estimulou o crescimento das grande agências de imagens (e notícias) internacionais.

Quando o discurso da imagem é outro

Porém, nesse domingo (14/06/2009) ocorreu um caso inusitado que deve chamar a atenção daqueles que estudam comunicação e/ou semiótica.

Em ambas edições é comentado na capa os protestos ocorridos no Irã, no dia anterior, por conta da vitória de Mahmoud Ahmadinejad para a presidência do país.

Porém desta vez cada jornal ilustra a notícia com uma foto diferente.


Apesar dos dois jornais comentarem a agressividade e truculência da polícia iraniana, a FOLHA publicou a foto de um policial amparado por um manifestante, enquanto o ESTADÃO optou por mostrar a polícia avançando contra os manifestantes.

Ou seja, uma das fotos evidência o poder e truculência dos manifestantes, e a outra faz o mesmo, evidência o poder e truculência, mas desta vez, da polícia. Nenhuma delas deixa de retratar a realidade, porém proporciona diferentes interpretações ao leitor.

É nítida a diferença do discurso de cada uma das imagens, apesar de abordarem um mesmo fato. Fica aqui um bom exemplo de como um veículo de comunicação pode, de maneira sutil, manipular uma informação.

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6.5.09

A publicidade não vive mais só da mídia tradicional

Tenho discutido muito sobre a crescente valorização da área de mídia dentro da publicidade.

Se fosse necessário resumir, diria que o importante é compreender que o profissional de mídia não pode mais restringir-se aos espaços tradicionais de publicidade durante o estudo das estratégias de comunicação de uma marca/produto.

Não basta também planejar uma utilização criativa de sacolas, braceletes de ônibus/metrô ou então abusar dos espaços urbanos. É preciso pensar também que além dos espaços públicos, qualquer produto de comunicação pode ser um espaço de mídia.

Em 2007 a Samsung montou uma banda de música, promoveu, gravou um cd e fez shows pela Coréia. Tudo para lançar uma linha de celulares. Aqui está o post que fiz na época.

Já em 2008, a Audi fez uma ação que foi chamada de Audi Sinfonie. O grupo alemão Bauhouse foi convidado para apresentar uma peça musical acompanha de cenas que registram o processo de fabricação de um Audi R8. Foram realizadas apresentações da sinfonia em diferentes partes do mundo.

No blog Brainstorm #9 é possível ver um trecho da apresentação realizada no parque Ibirapuera em São Paulo; e aqui neste link o hotsite do grupo Bauhouse que apresenta o video completo da sinfonia.



Talvez você irá dizer: mas esses exemplos são apenas uma evolução dos antigos patrocínios de eventos de entretenimento, como o já antigo "Free Jazz Festival". E eu direi: sim, é verdade. Mas eu também não disse que isso tudo é uma novidade que surgiu inesperadamente.

O que vemos hoje é, de fato, uma evolução da comunicação e do marketing, bem como do próprio consumidor, não é? Ou você ainda acredita que o consumidor se deixa impressionar pelas interferências publicitárias que seguem formatos criados há mais de 5 décadas atrás?

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25.4.09

Afinal, qual é a grande novidade do Twitter?


"O que você está fazendo?" é apenas a isca para estimular a conversa entre os usuários no Twitter.

Contar o que você está fazendo, expor sua vida e criar estratégias para conquistar mais seguidores são atividades que vemos no dia-a-dia do Twitter, mas tudo isso acontece lá dentro unicamente por se tratar de uma rede nova, no auge da moda. Logo mais tudo isso passará.

O que vai sobrar? Um modelo de comunicação alternativo. E é exatamente disso que se trata o Twitter.

Deixe de lado a luta por novos seguidores e a ansiedade para publicar cada minuto da sua vida. Isso logo mais perderá a graça.

O Twitter está entre o e-mail, o instant messenger e as comunidades das redes sociais. Possui características de cada um desses modelos de comunicação mas no fundo, não é nenhum deles. É, na verdade, um novo modelo de comunicação vivo.

Outro dia ao demonstrar como funcionava a rede do Twitter para algumas pessoas, enviei para a rede um pedido para que alguém mandasse um "oi". Em menos de 30 segundos tive mais de 35 respostas para a minha solicitação. Respostas imediatas e espontâneas. Comunicação viva.

Numa outra ocasião comentei que precisava converter um determinado arquivo mas não tinha o programa adequado. Logo em seguida alguém apareceu oferecendo para fazer a conversão do arquivo.

Já organizei um evento inteiro com a participação dos usuários do Twitter. Desde o convite aos palestrantes até a divulgação e cobertura do evento.

Também já acompanhei diversos outros eventos através dos flashes encaminhados pelos usuários que estavam lá, participando presencialmente dos eventos.

Enfim, em breve o Twitter deverá fazer parte do nosso contidiano, assim como o e-mail e o instant messenger. E assim como o ICQ foi substituido pelo Messenger, quem sabe logo mais o Twitter dará espaço para algum sucessor.

De qualquer maneira, note que estamos descobrindo mais uma forma de interagir com a nossa sociedade. Você está acompanhando tudo isso?

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7.1.09

[drops] Big Brother Brasil no Twitter (BBB9)

Parece que a Globo está planejando criar ações em mídias sociais esse ano, pois além do canal @rede_globo no Twitter, ela acaba de inaugurar hoje um canal específico para divulgar sua programação: @rede_globo_noar

Porém duvido um pouco de canais como esse. É difícil encontrar pessoas interessadas em receber a toda hora a programação do veículo.

Mas foi criado também o perfil @rede_globo_bbb. Esse já parece bem mais atraente. Se o perfil passar a transmitir flashes frequentes do cotidiano do Big Brother Brasil, pode ser uma ótima ferramenta para manutenção da audiência do programa.

Veremos.

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5.1.09

Pague R$0,63 ao invés de pagar mais de R$1 em ligações para celular


Se assim como eu, você acessa com frequência a internet pelo celular, então essa dica pode não lhe servir diretamente, mas provavelmente você conhece alguém que utiliza o celular apenas para efetuar ligações e poderia pagar bem menos. Aqui vai a dica:

Aeiou é uma nova operadora de celular que nasceu no final de 2008 e começou suas atividades sem muita publicidade. Aparentemente a idéia é não gastar muito com comunicação para manter seu serviço com o menor custo de São Paulo.

Tudo é gerenciado através do site da operadora. Lá você faz seu cadastro e efetua o primeiro crédito em ligações de R$20,00. Pronto! Em cerca de uma semana você recebe o chip pelo correio para instalar no seu celular (desbloqueado, claro!).

Pontos negativos: A operadora não oferece ainda o serviço de dados e a região de abrangência é limitada à cidade de São Paulo. Viajou para outra cidade o celular não funciona mais.

Pontos positivos: todas as ligações possuem preços muito inferiores à concorrência. Em geral, uma ligação para fixo ou celular nos planos pré-pagos da concorrência sai por mais de R$1,00/min. Na Aeiou a ligação para celular sai por R$0,63/min. e para fixo por R$0,28/min. O envio de SMS (torpedo) custa R$0,14! E claro, para ligações entre celulares da operadora o valor é ainda mais baixo.

Apesar de utilizar o serviço de dados, resolvi ativar um segundo celular onde coloquei meu chip da Aeiou para aproveitar as tarifas baixas toda vez que meu plano n aoutra operadora começa a estourar. Além disso, recomendei a Aeiou a todos os amigos que não costumam sair de São Paulo e utilizam o celular apenas para ligações e envio de recados de texto.

Tenho utilizado o serviço de vez em quando e não tive nenhum problema até agora. Caso também seja cliente da Aeiou e queira opinar, deixe neste post seu comentário.

Para ver mais sobre: www.meuaeiou.com.br


OBS: Isto não é um post pago. É uma dica publicada de forma espontânea pelo autor deste blog.

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3.1.09

A falsa evolução do olhar

Este primeiro post de 2009 nasceu de uma conversa com alguns amigos com quem passei a virada do ano. Lá pelas tantas, não me lembro mais se antes ou depois da meia-noite surgiu um papo sobre um argumento que o filósofo Nietzsche escreve no seu livro "Aurora". Ele diz que os gregos eram cegos para o azul e o verde. Na verdade o que o filósofo pretende é mostrar que os gregos não faziam distinção entre algumas cores pois utilizavam a mesma palavra para designar coisas que para nós possuem cores diferentes. Mas como? Será uma questão fisiológica? O olho dos gregos era diferente e menos eficiente que o nosso?

Não. Aparentemente é apenas uma falta de estímulo. Veja o caso dos esquimós; por conta da região que habitam, eles conseguem diferenciar com mais facilidade do que nós as diversas nuances da cor branca, possuem inclusive nomes diferentes para as tonalidades do branco. Assim, retomando o caso dos gregos, provavelmente naquela época a sociedade era pouco estimulada para as cores e com isso não se desenvolveu uma percepção visual para a diferenciação entre o azul e o verde.

Essa discussão fica mais interessante se acrescentarmos o fator da evolução tecnológica. Considere um meio como a televisão e analise a qualidade da imagem de algumas décadas atrás.

Na década de 60 a televisão tinha uma imagem com uma definição muito baixa. Segue um trecho do famosos Festival da Record de 1967 em que Chico Buarque canta "Roda Viva". Esse vídeo ilustra um pouco como era a qualidade da imagem na época.



Sem dúvida o telespectador da época sabia da baixa qualidade que a televisão oferecia, mas tenho a impressão que hoje ficamos ainda mais impressionados e definitivamente incomodados, exclusivamente pelo fato de podermos comparar com a qualidade da imagem dos dias de hoje. Se nosso olhar não tivesse acostumado com a qualidade atual, não nos incomodaríamos ao ver imagens da década de 60.

Efeito similar ocorre com a evolução da animação e dos efeitos especiais. Aproveitando o lançamento do filme "O dia em que a Terra parou" (2009) dirigido por Scott Derrickson, faça uma experiência e assista a versão original de Robert Wise (1951). É um tanto difícil deixar-se envolver pela narrativa, pois a todo momento ficamos impressionados com a falta de recursos e imaginando que na época os espectadores consideravam aquilo tudo muito realista (!!!).



Imagino também que uma criança, educada no mundo da animação digital, não envolve-se facilmente por desenhos animados mais antigos. Pois seu olhar já está acostumado a uma determinada qualidade de imagem.





A conclusão que quero propor então é a seguinte: observe que não existe, portanto, uma evolução do olhar. Ao menos não existe uma evolução fisiológica. Não foi o olho humano que evoluiu desde a época dos gregos. Foi o contexto ao nosso redor que mudou e com isso o olhar adaptou-se àquilo que acostumou-se a ver.

Nosso olhar está acostumado/adaptado/condicionado a ver imagens de determinada qualidade e por isso vai estranhar algo inferior a isso. E claro, também será impressionado com uma qualidade superior, mas logo irá assimilar e adaptar-se.

Observe também que os novos televisores de alta qualidade não existem por uma necessidade do nosso olhar. É pura lógica do consumo capitalista. Provavelmente estaríamos muito bem satisfeitos com os televisores preto & branco se não tivéssemos vivido a evolução tecnológica da imagem eletrônica.

Se você tem uma necessidade por uma televisão LCD ou plasma, HDTV, Full HD com 50", trata-se muito mais de uma necessidade de consumo do que uma necessidade da pecepção do olhar!

OBS: Fica aqui o agradecimento ao amigo Ronaldo Entler que colaborou com idéias e durante o desenvolvimento deste post.

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