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12.5.06

Serviço oferece ligações gratuitas para telefones fixos em todo o Brasil

O Skype ( www.skype.com ) foi um dos primeiros a oferecer ligações para telefones fixos e celulares através do seu serviço SkypeOut. Mediante a compra de um crédito mínimo de R$ 25 é possível efetuar ligações do computador para qualquer número de telefone ou celular. Seu atrativo são os custos baixos em comparação aos valores cobrados pelas operadoras de telefonia.
As taxas por minuto são extremamente inferiores para ligações internacionais (DDI) mas também são competitivos para ligações locais. Uma ligação para um número de telefone fixo em São Paulo custa R$ 0,072 por minuto no serviço SkypeOut e para efetuar uma ligação para um telefone fixo de Paris o custo é de apenas R$ 0,059 por minuto.

Por conta dos preços competitivos a popularidade do Skype cresceu, estimulando o surgimento de serviços similares. No Brasil, empresas como Ajato e Net começaram a oferecer recentemente produtos para VoIP, porém os custos em geral não são inferiores aos cobrados pela Skype.

Recém lançado, o novo serviço chamado VoipDiscount está utilizando uma estratégia radical para ganhar usuários: oferecer ligações de VoIP gratuitamente para 50 destinos diferentes (dentre eles o Brasil) e para outros 15 locais por apenas 0,01 Euro.

Para utilizar o VoipDiscount é necessário baixar o software ( www.voipdiscount.com ) e instalar no computador. O programa é muito semelhante ao Skype. Após a instalação o software solicita a criação de uma conta de usuário e a partir de então já é possível realizar conversas de voz com outros usuários do sistema.

Para efetuar ligações para telefones fixos e celulares é preciso ainda criar uma conta de crédito de no mínimo 10 Euros, porém caso efetue ligações para telefones fixos de qualquer um dos 50 destinos da promoção, como por exemplo o Brasil, Argentina, Canadá, França, Alemanha e Portugal, seus créditos não serão utilizados. As ligações para celulares são tarifadas. No caso de celulares no Brasil, o custo é de cerca de R$ 0,50 por minuto, ou seja, valor inferior ao cobrado pela maioria das operadoras de telefonia do país.

Para conhecer os custos para cada um dos destinos, acesse a página www.voipdiscount.com/en/rates.html . Os custos são apresentados em centavos por minuto (Ct/Min).

Por se tratar de um serviço europeu, é necessário discar o código completo de uma ligação internacional, mesmo que você esteja em São Paulo e pretenda ligar para um número na mesma cidade. Nesse caso, é necessário discar o código de ligações internacionais (00), o código do país (55), o código da região (11) e finalmente o número do telefone, o resultado é algo como 00 55 11 2222-2222.

A qualidade da ligação é razoável, porém é comum notar um pequeno atraso da voz, ocasionado justamente pelo longo caminho percorrido pelos dados até chegar ao seu destino. Esse atraso é quase imperceptível no caso do Skype.


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Éric Eroi Messa - é professor da Faculdade de Comunicação e do MBA em Gestão Tecnológica Educacional na FAAP-SP. Também é sócio-diretor da High Performance - Marketing Interativo.

E-mail: eric.eroi@messa.com.br

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Publicado no Jornal Diário do Comércio, Cad. Informática, pg.: 3, São Paulo: ACSP, 09/05/2006.



2.5.06

Portais de Networking: a nova onda da internet

A internet também é feita de modismos. Quem acompanhou sua evolução provavelmente já sentiu vontade de criar uma home-page pessoal, participar de chats, listas de discussão, bater papo nos comunicadores instantâneos ou montar um blog.

Essas aplicações que vão surgindo a cada dia, podem também ser utilizadas nos negócios. Algumas empresas já utilizam os comunicadores instantâneos para manter em contato funcionários de diferentes áreas. Sites de e-commerce já possuem sistemas de atendimento on-line que permitem o contato através do chat entre o visitante e um atendente da loja virtual. O sistema do blog é utilizado dentro do site de empresas de desenvolvimento de software para agilizar a publicação de informações sobre novas versões de seu software.

Desta vez a novidade que fará a cabeça dos internautas são os portais de networking. São portais que gerenciam redes de relacionamentos. Ao se cadastrar no portal você preenche um formulário com diversas informações pessoais e depois passa a convidar outras pessoas para participar da sua rede, sejam eles amigos ou colegas de trabalho. Seus dados não estarão disponíveis a qualquer pessoa, mas somente aos seus contatos diretos e à rede de relacionamentos de cada um deles. É uma verdadeira bola de neve.

Ao acessar o sistema pela primeira vez não há nada a fazer além do cadastro pessoal, pois a sua lista de contatos diretos estará vazia. É necessário encontrar alguma pessoa conhecida dentro da rede ou enviar convites para outras pessoas que também deverão cadastrar-se.

Experiência - Para conhecer o sistema fiz meu cadastro em um dos portais de networking e no dia seguinte eu tinha em minha lista de contatos diretos apenas uma pessoa já confirmada, porém minha rede de relacionamentos já possuía mais de 6.100 pessoas espalhadas pelo mundo inteiro. A partir de um único contato foi possível formar uma enorme rede de amigos dos amigos e assim por diante.

Conclusão: esses portais de networking podem ser mais um modismo das comunidades virtuais, mas também podem ter aplicações interessantes nos negócios. Afinal, todo profissional sabe a importância de manter uma boa rede de relacionamentos.

Você pode, por exemplo, montar uma rede de relacionamentos entre seus colegas que atuam na mesma área, cadastrando inclusive seus fornecedores e prestadores de serviço. A partir daí você terá acesso também a rede de relacionamentos de seus colegas, promovendo assim o surgimento de novos negócios para todos os participantes desta comunidade virtual.

O portal Ryse (www.ryze.com) funciona dessa maneira. O serviço foi criado por Adrian Scott (ex-Napster) e hoje possui usuários em mais de 100 países.
Outros portais que possuem essa proposta de rede de relacionamentos empresarial são o Linked In (www.linkedin.com) e o Eacademy (www.ecademy.com).

Social - Há outros diversos portais de networking que não são diretamente relacionados aos negócios. Estes portais são também conhecidos como social networking e oferecem gratuitamente o serviço, dentre eles os mais famosos são o Friendster (www.friendster.com) e o Orkut (www.orkut.com). Há também um portal brasileiro chamado Recomendado (www.recomendado.com.br).

O Orkut foi lançado pelo Google no início do ano e parece que vem ganhando a preferência do usuário brasileiro. Na comunidade do Orkut o Brasil já é o segundo país com maior número de usuários.

Sua proposta é interessante: dentro do portal é possível fazer parte de pequenos grupos que possuem interesses em comum ou criar o seu próprio grupo.

Já existem grupos de interessados em software livre, grupos de investidores do mercado de ações ou aqueles que querem apenas trocar informações sobre os melhores restaurantes de São Paulo.

Diferencial - O Orkut possui ainda um diferencial que o torna mais atrativo: só é possível participar sendo convidado por alguém que já é um usuário do Orkut. Nos Estados Unidos a febre é tão grande que logo após seu lançamento era possível encontrar convites do Orkut à venda por até 10 dólares.



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Éric Eroi Messa:
é professor da Faculdade de Comunicação - Publicidade e Propaganda e do MBA
Profissional - Master em Tecnologia Educacional da FAAP. É sócio-diretor da
High Performance - Marketing Interativo. E-mail: eric.eroi@messa.com.br

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Publicado no Jornal Diário do Comércio, Cad. Informática, pg.: 6, São Paulo:
, 20/04/2004.



A Imagem Sensível

O que é sensível? O sensível é aquilo que interfere em nossos sentidos? É aquilo que nos comove? Que emociona? Aqui, a proposta é apresentar o sensível como aquilo que nos toca antes mesmo de ser compreendido; aquilo que nos chama a atenção para algo que vem adiante. Depois de vivenciar uma experiência sensível, é impossível não refletir sobre ela.
Ao considerar as três categorias universais da fenomenologia de Charles S. Peirce, sabemos que os aspectos sensíveis estão presentes na primeira categoria, aquela mais incipiente, aquela que está compreendida num instante do tempo e, portanto, ainda não sofreu qualquer influência de análise posterior àquele instante da experiência. Uma passagem dos textos de Peirce, destacada por Ivo Assad Ibri em Kósmos Noëtós (1992) descreve bem o que Peirce chamou de primeiridade:
"Imagine uma cor de magenta. Agora imagine que todo o resto de sua consciência - memória, pensamento, tudo, exceto este sentimento de magenta, tenha sido eliminado e, com isto, apagado toda possibilidade de comparar a cor magenta com qualquer outra coisa ou de avaliá-la mais ou menos brilhante. É isto que eu penso ser uma pura qualidade sensível. Esta definida potencialidade pode emergir de tal indefinida potencialidade apenas por sua Primeiridade vital ou espontaneidade. Eis aqui esta cor magenta. O que originalmente tornou tal qualidade possível? Evidentemente nada além de ela mesma. Ela é um Primeiro” (apud IBRI, 2002)
Assim, essa categoria primeira é formada essencialmente por aspectos sensíveis. Como descreve o próprio Peirce, desta categoria fazem parte “... qualidades de sentimentos como o odor da rosa, o som do silvo de um trem, o sabor do quinino, a qualidade da emoção ao se contemplar uma bela demonstração matemática, a qualidade de sentimento do amor, etc” (apud IBRI, 1992, p. 10). E ainda: “a idéia de Primeiro é predominante nas idéias de novidade, vida, liberdade. Livre é aquilo que não tem outro atrás de si determinando suas ações...” (apud IBRI, 1992, p. 10). Seguindo adiante, conforme explica Ibri, “por conseguinte, a segunda faculdade procura coletar a incidência de determinado aspecto, para que a terceira possa tomá-lo como geral e pertinente a todo fenômeno.” (IBRI, 1992, p. 6).
Agora, para continuar nossa reflexão e chegar até o tema proposto, procure direcionar seu olhar para o campo da produção científica; consideremos um belo enunciado de um determinado conceito teórico explícito em um livro. Ao ler esse signo impresso, que descreve um conceito teórico qualquer, você obrigatoriamente percorrerá as três categorias universais. A primeiridade refere-se a todo aspecto de qualidade que você vivenciar nessa experiência, a secundidade é a reflexão envolvida nesse processo e a terceiridade é a representação que você fará. Assim, a apreensão de determinado conceito teórico (e não sua simples enunciação das mesmas idéias), o entendimento abstrato daquela teoria que podemos chamar de conhecimento tácito (cf. NONAKA, 1997), envolve necessariamente a passagem por estas três categorias.
Mas nesse momento façamos uma pausa para a seguinte consideração: é evidente a essa altura que os aspectos de secundidade e terceiridade sejam perfeitamente contemplados pela simples descrição verbal de um conceito teórico, porém concentre-se nos aspectos de primeiridade e note como eles não se sobressaem em relação às outras duas categorias.
Para complementar esse raciocínio, vale considerar também a priorização do texto existente no meio científico, como bem descreve Sérgio Bairon:
“Desde o século XVIII, desenvolvemos uma metodologia científica como matéria obrigatória em todas as ciências. Essa tradição elegeu a expressividade verbal (escrita e impressa) como única grande “representação” confiável de um pensamento reflexivo e de uma análise conseqüente.” (BAIRON, 2005, p.19).
É claro que num texto poético os aspectos de primeiridade são mais evidentes. Mas pense na descrição fundamentalmente teórica de um determinado conceito. Onde estão os aspectos de primeiridade?
De fato eles estão lá, evidentes obviamente somente naquele único instante presente daquele que lê a descrição do conceito. E não é possível nem mesmo tentar descrever com mais detalhes qualquer sentimento que possa estar envolvido naquela teoria, pois a descrição de um sentimento exige do leitor o uso da memória em busca de um sentimento semelhante vivenciado no passado, e este processo por sua vez, já é um aspecto da secundidade (PEIRCE, 2003, p. 15).
Mas, será que há outra maneira de expressar os aspectos sensíveis, ou ao menos colocar o receptor frente ao conjunto de possibilidades sensíveis existente num determinado signo além do código verbal impresso?
Vamos agora mudar de ares e buscar idéias adicionais a partir da filosofia romântica de Friedrich Schiller. Em suas cartas escritas entre fevereiro a dezembro de 1793 para o príncipe da Dinamarca Friedrich Christian von Schleswig-Holstein-Sondenburg-Augustemburg, Schiller deixa evidente sua crença na estética como recurso para a educação ética do homem (cf. SCHILLER, 2002). E como é bem lembrado por Jorge Anthonio e Silva, para Schiller “A qualidade estética no homem é aquele bem novo que lhe permite a auto-determinação, porque lhe restitui a liberdade de fazer de si instrumento em evolução constante.” (SILVA, 2001, p. 13). Não interessa aqui a discussão política-ideológica que evidentemente é relacionada com o momento histórico-político em que tais pensamentos foram desenvolvidos. Vamos nos concentrar apenas na importância que Schiller coloca no gosto e na arte para a formação do homem: “As artes do belo e do sublime vivificam, exercitam e refinam a faculdade do sentir...” (apud BARBOSA, 2004, p. 29). Porém, ele não coloca em segundo plano a razão; assim, razão e sensibilidade deveriam ter o mesmo valor para a educação do homem. Mas de fato é o caráter sensível que deve aparecer primeiro, pois a partir do aspecto sensível é mais fácil caminhar para a razão e não o contrário (SCHILLER, 2004, p. 114). Como afirma Ricardo Barbosa, para Schiller, “... o gosto, na medida em que mobiliza todo o nosso ânimo, possa torná-lo receptivo para a apropriação prática do que a cultura científica tem a oferecer.” (BARBOSA, 2004, p. 37). Podemos concluir então que o aspecto estético e portanto, o aspecto sensível, pode aparecer como estimulador para a apreensão de um conhecimento científico. É aquilo que nos toca, que nos chama a atenção para algo que vem adiante. Pois sempre que um novo conhecimento nos é apresentado, perguntamos qual a validade e utilidade daquilo. Será que a pergunta original não é: como posso me sentir atraído e envolvido por determinado tema e colocar-me em posição de receptividade frente à esse novo conhecimento?
Feita essa passagem pela filosofia romântica de Schiller, vamos retornar agora para a fenomenologia de Peirce. Mesmo que evidentemente as três categorias universais estejam sempre presentes, se construirmos uma linha de raciocínio onde o aspecto estético de Schiller seja utilizado para desenvolver a primeiridade de Peirce, e o aspecto da razão científica para desenvolver a secundidade e a terceiridade, teremos então a mesma seqüência para a aquisição de um conhecimento tácito nos dois autores, ou seja, inicialmente o caráter de primeiridade através dos aspectos sensíveis da estética e em seqüência o caráter de secundidade e o de terceiridade através da descrição verbal de um conceito teórico qualquer.
De qualquer forma, a dúvida é: de que maneira usar o caráter estético/sensível, como aspecto de primeiridade para expressar a gama de qualidades (talidades) envolvidas e estimular a aquisição de determinado conhecimento?
É neste ponto que lançamos como hipótese o uso da imagem aplicada em hipermídia. Primeiramente, a imagem, por conta do seu valor estético, embora obviamente não estamos restritos às imagens artísticas (como no caso de Schiller), aqui consideramos imagens num aspecto amplo, criadas para evidenciar o aspecto sensível, mas não são exclusivas do âmbito artístico. São imagens-montagem e imbuídas de fundamentos teóricos na sua criação. Assim, não se trata também de imagens meramente ilustrativas como se vê comumente em produções científicas, pois são imagens que possuem um valor participativo na formação do conhecimento, como já foi citado. Devem preceder a descrição teórica, a fim de expor os aspectos de primeiridade, que por conseguinte será complementada com a descrição teórica-verbal.
Do outro lado, falamos também da hipermídia, pois é essa linguagem que oferece os recursos adicionais à imagem para potencializar a expressividade de seus aspectos sensíveis. Como recursos oferecidos pela hipermídia citamos a manipulação dessa imagem, a adição de programação, animação ou mesmo do áudio e texto. A proposta de uso da imagem em hipermídia para expressar aspectos sensíveis é também o campo de estudo de Sérgio Bairon nos últimos anos. As diferentes variações destas imagens são descritas por Sérgio Bairon em O Conhecimento em Linguagem Digital , onde ele apresenta um critério de avaliação de trabalhos em hipermídia, separando em categorias as diferentes imagens encontradas na hipermídia. O que devemos manter em mente, é que não se trata de uma simples imagem, mas uma imagem com recursos adicionais (áudio, texto, programação, etc) oferecidos pela hipermídia e por isso optamos por batizá-la de hiperimagem.
Outra hipótese é que essa hiperimagem está para a imagem, assim como o hipertexto está para o texto. Se de certa forma, podemos dizer que alguns aspectos do hipertexto podem existir fora da hipermídia, como por exemplo num livro impresso, também podemos considerar a existência de aspectos da hiperimagem em outros meios como o audiovisual ou quem sabe até mesmo no meio impresso. Assim, ampliamos o campo de atuação da hiperimagem, levantando a possibilidade de aspectos da hiperimagem aparecerem em diferentes meios.
O fato é que a hiperimagem possui outros recursos que a colocam em um patamar diferente da imagem meramente ilustrativa. Esta hiperimagem, imbuída de aspectos estéticos, através da sua montagem/construção hipermidiática pode indicar o caminho para a definição de um conceito científico. Indicar o caminho significa imprimir expressividades sensíveis que levantariam questões, abririam o campo das possibilidades (talidades), atraindo a atenção para a reflexão e a generalização formadora das regras daquele determinado conceito científico. Não se trata portanto de buscar a enunciação de um conceito a partir exclusivamente da imagem, mas utilizá-la como ponto de partida no caminho da construção do pensamento. Desde o momento mais incipiente, onde só existe o mero campo de possibilidades (primeiridade), como a formulação de questões que irão direcionar o pensamento. A aplicação de imagens-montagem com o propósito de expressar conceitos teóricos foi uma das questões trabalhadas por Sérgio Bairon e Luis Carlos Petry no cd-rom Hipermídia, psicanálise e história da cultura (2000); Lúcia Santaella, em seu texto de abertura desta hipermídia, afirma que em trabalhos como os destes dois autores, a imagem ganha uma nova função, pois através da hipermídia a imagem deixa de ser apenas um recurso ilustrativo para ganhar novas funções dentro de um conteúdo hipermidiático (SANTAELLA, 2000).
Apesar de incorrer no risco de reduzir o conceito da hiperimagem por conta de uma exemplificação, é fato que a ilustração de um conceito também tem o seu valor, assim segue aqui uma experiência onde uma solução específica de hiperimagem foi utilizada para desenvolver os conceitos de perda e luto para Freud. No endereço da internet www.messa.com.br/eric/imagem é possível vivenciar essa experiência. Inicialmente, através de imagens animadas e acompanhadas de áudio, pretendeu-se trabalhar alguns dos aspectos sensíveis que permeiam os conceitos de perda e luto, com isso buscou-se estimular o interesse para o que viria a seguir. Vale também fazer uma ressalva para aquele que questionar sobre os sentimentos percebidos durante esse processo e sua fidelidade em relação ao conceito de perda e luto para Freud. É fato que a representação de uma hiperimagem ou mesmo de uma descrição teórica, é um processo de constante evolução, uma semiose infinita, que inclusive é dependente do repertório do sujeito. Assim, como diz Julio Plaza, a tradução intersemiótica é, portanto, estruturalmente avessa à ideologia da fidelidade” (PLAZA, 2003, p. 30). Essa consideração parece colocar a hiperimagem sob a mesma relevância de uma descrição verbal, porém, sabemos que não é exatamente isso, pois estabelecendo a hiperimagem como um signo estético , Julio Plaza dirá agora que “no caso do signo estético, por seu lado, o fundamento não é mais do que a expressão da idéia de possibilidade, indeterminação, talidade, essência e auto-referência” (PLAZA, 2002, p. 24). Ou seja, a hiperimagem apresenta-se apenas como uma mera gama de possibilidades; é esse o seu papel no contexto da comunicação de um conceito teórico, ou no máximo, formular questões. Não se trata portanto de uma valorização da imagem em detrimento do texto, mas longe disso, uma busca pela contribuição mútua entre diferentes matrizes da linguagem , que de fato, é característica intrínseca da hipermídia:
“... o primeiro grande poder definidor da hipermídia está na hibridização das matrizes de linguagem e pensamento, nos processos sígnicos, códigos e mídias que ela aciona e, conseqüentemente, na mistura de sentidos receptores, na sensorialidade global, sinestesia reverberante que ela é capaz de produzir...” (SANTAELLA, 2001, p.391).
Portanto, há aqui uma discussão a ser considerada, sobre o campo dos aspectos sensíveis expressos através da hiperimagem e aqueles sentimentos que realmente foram detectados pelo receptor através da narrativa proposta. É importante lembrar que tais sentimentos já interpretados pelo receptor indicam a passagem completa pelo ciclo de primeiridade – secundidade – terceiridade, e com isso, podem não se relacionar diretamente como o conceito teórico proposto. A intencionalidade da hiperimagem é atuar no campo da primeiridade, mas é impossível evitar as diferentes interpretações realizadas por diferentes receptores. O questionamento provável aqui é como tais interpretações podem interferir na apreensão de um conceito teórico? Consideremos a primeiridade apenas como mera gama de possibilidades; a partir do momento em que o receptor reconhece qualquer aspecto da narrativa de uma hiperimagem, ele já está atuando sob o campo da terceiridade, pois “A idéia de Primeiridade se refere a um nível de experiência que é anterior à apreensão de qualidades sensíveis distintas.” (AYDIN, 2005, p. 12). Porém, esse reconhecimento ocorreu a partir da cristalização de um aspecto que estava em meio a toda a gama de possibilidades e é exatamente esse mergulho por essa gama de possibilidade que nos interessa. Sob esse ponto de vista nos parece que a relevância da narrativa de determinada hiperimagem e sua relação direta ou indireta com o conceito teórico não é importante. Mas essa afirmação parece frágil, pois será que o enunciado que virá a posteriori é capaz de corrigir qualquer eventual desvio que o receptor tenha desenvolvido no processo de construção do conhecimento?
Retornando à experiência referente à comunicação dos conceitos de perda e luto para Freud, após a apresentação da hiperimagem, o que se segue é a construção teórico-descritiva do conceito, representando o papel de secundidade e terceiridade, onde na verdade, a terceiridade é a representação última que o sujeito irá fazer desta experiência. Obviamente a construção teórico-descritiva poderia ser melhor desenvolvida caso fosse esse exemplo um trabalho real de apresentação dos conceitos freudianos, mas como estamos aqui apenas desenvolvendo uma experiência sobre a hiperimagem, contentamos em inserir apenas algumas passagens das obras completas de Freud.
Note que nesse caso, toda a experiência desenvolveu-se apenas através do uso de recursos audiovisuais, por isso, como já foi alertado, essa experiência não se trata de um exemplo abrangente da hiperimagem, mas apenas um modelo reduzido de aplicação da hiperimagem, foi assim desenvolvida justamente para enfatizar que uma hiperimagem não precisa conter necessariamente todos os recursos oferecidos pela hipermídia. Assim, é possível aplicar apenas alguns de seus aspectos em meios como o audiovisual nesse caso.
Outro exemplo, talvez melhor ainda do que o anterior, é o trabalho “Valetes em Slow Motion” , de Kiko Goifman (GOIFMAN, 1998). Na tela de abertura do cd-rom, já é possível encontrar uma imagem manipulada , que aliada a recursos de áudio e programação inserida em alguns elementos dessa hiperimagem, pretende expressar os aspectos sensíveis de conceitos teóricos que estão definidos no decorrer da hipermídia e também no livro que acompanha o cd-rom. Esta tela cria um entorno através de uma imagem de uma cela de prisão repleta de objetos e fotografias que por sua vez representam metáforas teóricas pois são objetos presos que podem ser acessados através do clique do mouse. Este trabalho foi realizado como conseqüência do vídeo “Tereza” (1992), obra realizada no trabalho de pesquisa de mestrado de Kiko Goifman na Unicamp/SP. Neste trabalho o objetivo foi discutir o conceito de tempo dentro da prisão. Outro objetivo paralelo foi discutir a validade metodológica de aplicar recursos audiovisuais no processo de pesquisa sócio-antropológica, vê-se, portanto uma similaridade de intenções com essa pesquisa que desenvolvemos aqui. Em seu trabalho em hipermídia, Kiko Goifman buscou extrair o máximo que as imagens poderiam oferecer para expressar esse tema, sempre em conjunto com recursos de programação e áudio. O clima de tensão constante presente no cotidiano da prisão é descrito no livro, mas é expresso também através das imagens e efeitos sonoros incorporados à hipermídia. Assim, é inegável ali a capacidade que a imagem e os recursos da hipermídia têm para contribuir com o processo de construção do conhecimento. Outro exemplo é o recurso de programação que faz com que o receptor, caso não clique em nada após um tempo determinado, seja “punido” e levado para outro ponto da hipermídia, vivenciando assim uma experiência prática de que o tempo não lhe pertence, estando imerso em regras e normas de conduta que limitam a relação de temporalidade e espacialidade, assim como acontece com os presos.
Como já foi citado no início, a aplicação de imagens-montagem com o propósito de expressar conceitos teóricos foi uma das questões trabalhadas por Sérgio Bairon e Luis Carlos Petry em Hipermídia, psicanálise e história da cultura (2000). O próprio entorno da hipermídia, criado a partir do conceito do labirinto, evidencia essa intencionalidade, pois o labirinto representa o caminho necessário a ser percorrido na construção do conhecimento, Citando Petry, “No processo de interação imersiva no interior do labirinto, o sujeito-leitor fará advir a tela representativa do conceito que prepara seu próximo momento de imersão rumo ao hipertexto” (PETRY, 2003, p. 29). Esse mesmo trabalho foi abordado por Luis Carlos Petry em sua tese de doutorado intitulada Topofilosofia , onde o autor fez uma reflexão sobre a fenomenologia, a hermenêutica, a psicanálise e a pesquisa tridimensional em hipermídia. Em suas palavras, “a topofilosofia pensa o tridimensional digital e suas possibilidades de significação e pensamento” (PETRY, 2003, p. 91), pois “Dado que nossos objetos tridimensionais digitais são em si mesmos de natureza interativa, eles possuem a capacidade de subverter seu simples estado de coisa, (...) levando o sujeito-imersivo a se interrogar sobre sua relação interativa com o objeto e seus possíveis sentidos” (PETRY, 2003, p. 33). Neste sentido, Petry trabalha com os objetos topológicos criados por Jacques Lacan para discutir temas da psicanálise como por exemplo o “sujeito”, onde Lacan utiliza o objeto topológico do toro para discutir esse tema. Petry apresenta então soluções tridimensionais destes objetos topológicos, colaborando com o processo do pensar sobre os temas lacanianos.
Ampliando nosso horizonte para outros meios além da hipermídia, onde a utilização da imagem além da mera ilustração evidência o jogo entre necessidades e conseqüências atuando em conjunto para o surgimento da hiperimagem, citamos o trabalho audiovisual de Elisa Gomes em decorrência da sua pesquisa de mestrado realizado em Londres. Em diferentes trechos do trabalho chamado From, vemos que a montagem de diferentes cenas foi utilizada para expressar aspectos da discussão teórica envolvida no tema de pesquisa da autora. Logo no início do vídeo, vemos a formação de uma tela a partir de diferentes cenas do metrô londrino que buscam representar a velocidade dinâmica da formação de multi-identidades culturais na sociedade londrina. Esse conceito aparece através das cenas do metrô em movimento (velocidade dinâmica) e das diversas telas lado-a-lado mostrando os diferentes personagens entrevistados (multi-identidades).
Também vale comentar os trabalhos de Jeffrey Shaw, curador e autor de duas instalações que fizeram parte da exposição e posteriormente imortalizada no livro Future Cinema – The cinematic imaginary after film (2004). O tema central é a evolução do cinema, a influência da tecnologia e a discussão sobre o cinema digital expandido. Nas instalações Place-Ruhr (2000) e Place-Urbanity (2002), diferentes cenas da área de Ruhr e de Melbourne, respectivamente, são projetadas em um grande telão cilíndrico, enquanto o usuário fica ao centro no comando do movimento rotatório das cenas e da sua plataforma. Aqui é discutido a experiência da imersão em ambientes tridimensionais, utilizando diferentes recursos para ampliar o nível de imersão, destacando inclusive o uso de textos aplicados diretamente à imagem, de acordo com os sons emitidos pelo participante desta instalação.
Todos os trabalhos comentados acima, buscam discutir as diversas aplicações do que passamos a chamar de hiperimagem, sua real participação na formação do conhecimento (e não como mera ilustração) e sua possibilidade de expressar aspectos sensíveis. Portanto, está em discussão também a validade do aspecto sensível junto ao desenvolvimento de um conceito teórico. A proposta não é valorizar a imagem em detrimento do texto, mas mostrar sua complementaridade. Pode-se defender a idéia de que determinado conceito teórico pode ter mais ou menos relevância com aspectos sensíveis, mas é impossível ignorar sua pertinência, assim, a pergunta que se faz é: a hiperimagem pode ser mais ou menos útil para construir diferentes conceitos teóricos, mesmo que seja pelo simples levantamento de questões? Em sua tese, Petry defende que “... nenhum enunciado pode ser entendido unicamente pelo conteúdo que propõe.” (PETRY, 2003, p. 39); e ainda, “O enunciado figura sempre através de uma forma aproximada, uma tentativa malograda de resposta à pergunta que revoluciona o enunciar.” (PETRY, 2003, p. 40).
Assim sendo, por que não utilizar a hiperimagem para corroborar o enunciado?



Bibliografia:
AYDIN, Ciano. “Além do Absolutismo e do Relativismo: Nietzche e Peirce”. 8º Congresso Internacional de Pragmatismo. São Paulo: PUC/SP, 2005.
BAIRON, Sérgio. “Os jogos de linguagem na multimidia”, in: FACOM – Revista da Faculdade de Comunicação da FAAP, ano 1, num.: 2, 1994, pág. 17-23.
___________. Multimídia; 1ª ed. São Paulo, Ed. Global, 1995
___________. Interdisciplinaridade. educação, história da cultura e hipermídia; 1a ed. São Paulo, Futura, 2002.
___________. O Conhecimento em Linguagem Digital; 1ª ed. Caxias do Sul, Educs, (no prelo).
___________. Texturas Sonoras; 1a ed. São Paulo: Hacker, 2005.
BARBOSA, Ricardo. Schiller & a cultura estética; 1a ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2004.
IBRI, Ivo Assad. Kósmos Noëtós: a arquitetura metafísica de Charles S. Peirce. São Paulo: Perspectiva: Hólon, 1992.
____________. “The Vital Importance os Firtness in Peirce’s Philosophy”. In: Revista Cognitio, PUC/SP, n.3, nov/2002.
JIMENEZ, Marc. O que é Estética?. Rio Grande do Sul: UNISINOS, 2005.
NONAKA, Ikujiro e TAKEUCHI, Hirotaka. Criação de Conhecimento na Empresa. Rio de Janeiro, Ed. Campus, 1997.
PEIRCE, Charles S.. Semiótica; trad. José Teixeira Coelho Neto; 3a ed. São Paulo: Ed. Perspectiva, 2003.
PETRY, Luis Carlos. Topofilosofia: o pensamento tridimensional na hipermídia. São Paulo: Pontifícia Universidade Católica - PUC, 2003. (Tese de Doutorado em Comunicação e Semiótica)
PLAZA, Julio. Tradução Intersemiótica; 1ed. São Paulo: Ed. Perspectiva, 2003.
SANTAELLA, Lúcia. “Hipermídia: a trama estética da cultura textual”, in: BAIRON, Sérgio & PETRY, Luis Carlos. Hipermidia: psicanálise e história da cultura, making of; 1ª ed. Caxias do Sul: EDUCS; São Paulo: Ed. Mackenzie, 2000.
_________________. Culturas e Artes do Pós-humano; 1ª ed. São Paulo: Paulus, 2003.
_________________. Matrizes da Linguagem e pensamento: sonora, visual e verbal; 1ª ed. São Paulo: Iluinuras, 2001.
_________________. Estética - de Platão a Peirce. São Paulo: Experimento, 1994.
SANTAELLA, Lucia e NORTH, Winfried. Imagem - Cognição, Semiótica, Mídia ; 1a ed. São Paulo: Iluminuras, 2005.
SHAW, Jeffrey & PETER Weibel (ed.). Future Cinema. The Cinematic Imaginary after Film; 1a ed. Massachusetts: The MIT Press/ZKM, 2004.
SCHILLER, Friedrich. A Educação Estética do Homem Numa Série de Cartas; trad. Márcio Suzuki e Roberto Schwartz; 4a ed. São Paulo: Iluminuras, 2002.
SILVA, Jorge Anthonio e. “A Educação Estética do Homem”, in: FACOM – Revista da Faculdade de Comunicação da FAAP, num.: 9, 2º semestre de 2001, pág. 10-15.
CD-Roms:
GOIFMAN, Kiko. Valetes em slow motion - a morte do tempo na prisão: imagens e textos ; 1a ed. Campinas: Editora da Unicamp, 1998. Livro e 1 cd-rom.
BAIRON, Sérgio & Petry Luis Carlos. Hipermídia, psicanálise e história da cultura.São Paulo/Caxias do Sul, Educs & Ed. Mackenzie, 2000. Livro e 1 cd-rom.
Audiovisual:
GOMES, Elisa. From. Projeto de multi-identidades culturais. Londres: MA Scenography, Central Saint Martins College of Art and Design, 2003. (Pesquisa de mestrado)
Internet:
MESSA, Eric Eroi. Hiperimagem. (Online, 06/11/2005, http://www.messa.com.br/eric/imagem)
SHAW, Jeffrey. (Online, 15/11/2005, http://www.jeffrey-shaw.net)

Crédito das imagens:
1, 2, 3, 4, 5 - Eric Eroi Messa
6, 7 - Luis Carlos Petry
8 – Tela principal do cd-rom Valetes em Slow Motion de Kiko Goifman
9 e 10 – Telas do cd-rom Hipermídia, psicanálise e história da cultura de Sérgio Bairon e Luis Carlos Petry.
11 – Cenas do vídeo de Elisa Gomes
12 – Instalação de Jefrey Shaw




Notas:
1 Para Ikujiro Nonaka e Hirotaka Takeuchi, há duas categorias de conhecimento. O conhecimento explícito é todo o conhecimento que pode ser facilmente verbalizado, é objetivo e pode ser transmitido. O conhecimento tácito é análogo, adquirido através de experiências individuais, e difícil de ser transmitido.

2 Apesar da oportunidade de ler tal obra recentemente, a referência bibliográfica não aparece pois quando este texto foi escrito, o livro “O Conhecimento em Linguagem Digital” de Sérgio Bairon, estava ainda em prelo.

3 Os conceitos de Tradução Intersemiótica e Signo Estético são explorados por Julio Plaza em seu livro “Tradução Intersemiótica”, 2003, ed. Perspectiva.

4 Em “Matrizes da linguagem e do pensamento” Lúcia Santaella desenvolve a idéia de que as diversas mídias existentes, inclusive a hipermídia, são formadas através de diferentes combinações entre exclusivamente três matrizes da linguagem e do pensamento: a sonora, a visual e a verbal.

5 O livro e o cd-rom “Valetes em Slow Motion” são produtos oriundos da dissertação de mestrado de Kiko Goifman realizada em 1994 na UNICAMP. O tema central foi a noção de tempo no cotidiano carcerário registradas através do vídeo. A dissertação também pretendeu discutir a possibilidade metodológica do uso da imagem eletrônica na produção científica das ciências sociais.

6 Imagem construída pelo próprio autor, onde nesse caso específico, é utilizado a composição de diferentes elementos imagéticos e a programação de ações para cada um dos elementos.

7 O título topofilosofia foi sugerido por Sérgio Bairon. “O termo topofilosofia foi apresentado pela primeira vez em 29 de janeiro de 2002 em um Seminário coordenado por Michel de Certau, na Universidade do Porto (Portugal), na apresentação a uma exposição sobre a pesquisa tridimensional em hipermídia, realizada por Bairon” (Petry, 2003, p. 91)”




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Éric Eroi Messa
É professor de Direção de Arte e Produção Gráfica da FACOM/FAAP e do MBA Profissional - Master em Tecnologia Educacional – Pós-graduação/FAAP. É pesquisador do NUPH – Núcleo de Pesquisa em Hipermídia da PUC/SP, especialista em Tecnologia Educacional e sócio-diretor da High Performance - Marketing Interativo.


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"A Imagem Sensível”, Revista FACOM, São Paulo: FAAP, pág. 20, núm:15, 2o sem/2005.



Os Desafios da Educação à Distância

O debate sobre educação à distância anda em alta atualmente. Mas a discussão vai além do objetivo único de transpor a barreira do espaço/tempo.

Além da questão espaço/tempo, o desafio agora é utilizar as novas tecnologias para criar interfaces que estimulem o aprendizado, permitindo o surgimento de uma nova estrutura de educação, transmissão de informação e relacionamento entre educador/educando.

A utilização das novas tecnologias pelo educador deve ampliar e diversificar a maneira de transmitir o conhecimento, estimulando o aprendizado e servindo também como ferramenta para o educando na busca pela informação.

Michael Dertouzos (1), diretor do Laboratório de Ciência da Computação do MIT (Massachusetts Institute of Technology), escreveu em seu livro “O Que Será” (1997): “O novo mundo da informação rompe com esse padrão de contribuições indiretas. Ele está diretamente vinculado às questões centrais da educação, na aquisição, organização e transmissão de informações, bem como na simulação de processos que representam o conhecimento e na utilização de instrumentos como e-mail e trabalho em grupo, para mediar as relações entre alunos e professores, e dos alunos entre si. Sendo assim, trata-se da primeira revolução socioeconômica importante da história a oferecer tecnologias diretamente ligadas ao processo de aprendizado.”.

As primeiras experiências em educação à distância no Brasil surgiram algumas décadas atrás com os cursos via correio. Apesar do sucesso que tiveram - por isso resistem até hoje - não são bem vistos por muitos; devido à pouca interatividade existente, obrigando o educando a basear seus estudos apenas em infinitas apostilas que chegam periodicamente pelo correio.

Posteriormente surgiram novos formatos utilizando a televisão e também o rádio, mas nenhuma delas conseguiu eliminar a monotonia da falta de interatividade.

A partir de 1995, com a chegada da Internet no Brasil, a educação à distância começou a se desenvolver novamente, e ano após ano surgiram novos formatos e aplicações, acompanhando o desenvolvimento da própria internet.

Nos últimos anos vimos importantes instituições de ensino americanas lançarem seus “cursos virtuais”, e o mesmo começa a ocorrer no Brasil.

Na área empresarial o “e-learning” já é realidade em muitas empresas brasileiras. Empresas como Itaú, Embratel, Natura e Hering, por exemplo, já realizam treinamentos on-line através de um sistema de “e-learning”. Em uma pesquisa realizada pela revista “Info” em março de 2002 (2), 45% das empresas que responderam afirmaram promover treinamentos on-line.

Hoje a possibilidade de conexões mais rápidas e permanentes viabilizou a utilização de softwares para conferência on-line, uma ferramenta importante para a educação à distância, pois a possibilidade de visualizar a outra pessoa garante ao usuário que nem todo o processo da educação à distância é automatizado e que seu contato é feito somente com “máquinas”.

O estereótipo de uma “aula ideal”, onde um professor é posto à frente de uma sala com dezenas de alunos deve acabar. Não é esta “sala de aula” que irá acabar, mas sim a sua importância. Ou seja, além desta sala, o educando terá outras formas de entrar em contato com seu educador, ou pelo menos, com o material que ele deixou à sua disposição, e é aqui onde o fator tempo/espaço volta a aparecer. O computador passa a ser um elemento importante de comunicação com o educador que por sua vez poderá utilizá-lo para complementar o material exposto em sala de aula.

Bill Gates (3), em seu livro “A Estrada do Futuro” (1995), inicia seu capítulo sobre “educação” da seguinte forma: “Os grandes educadores sempre souberam que aprender não é algo que você faz apenas na sala de aula ou sob a supervisão de professores. Hoje, é por vezes difícil para quem quer satisfazer sua curiosidade ou resolver suas dúvidas encontrar a informação apropriada. A estrada dará a todos nós acesso a informações aparentemente ilimitadas, a qualquer momento e em qualquer lugar que queiramos. É uma perspectiva animadora porque colocar essa tecnologia a serviço da educação resultará em benefício para toda a sociedade.”.

Novos desafios poderão ser lançados ao educando, sem a necessidade da sua presença física, bem como seu desenvolvimento e apresentação dos resultados obtidos. E nesse ponto, a internet será uma importante ferramenta de comunicação. Dentre as principais aplicações, duas merecem destaque:

- WEB - O principal recurso onde o educador pode fazer uso da multimídia e do hipertexto para transmitir a informação. O educador poderá oferecer seu material didático apenas para determinados usuários ou aberto a todo o público. Podem ser aplicados testes virtuais, apresentar vídeos ou realizar conversas on-line; em grupo ou individuais.

- Lista de Discussão - Através do e-mail um grupo de educandos pode trocar informações entre si, anexar documentos e links. O educador poderá propor discussões em grupo, onde cada educando pode interferir e dar sua opinião no momento que melhor lhe convier, acabando com a necessidade de reunir todo o grupo em um determinado local para a realização de um debate.

Já estão surgindo no mercado outras ferramentas específicas para atender as necessidades do ensino à distância, baseadas nas principais formas de comunicação oferecidas pela internet (web, e-mail, chat, etc).

A crescente utilização das novas tecnologias de comunicação proporciona uma modificação na relação entre educador/educando. O estigma de “detentor de toda a verdade” do educador dá espaço a uma postura menos centralizadora. Ganha importância a função do educador de servir como um intermediário na busca do educando pelo conhecimento. Ele irá indicar os caminhos, propor os desafios e ajudá-lo a alcançar seu objetivo.

Em 1997, Pierre Lévy (4), escreveu o livro “Cibercultura” onde diz: “... a principal função do professor não pode mais ser uma difusão dos conhecimentos, que agora é feita de forma mais eficaz por outros meios. Sua competência deve deslocar-se no sentido de incentivar a aprendizagem e o pensamento. O professor torna-se um animador da inteligência coletiva dos grupos que estão a seu encargo. Sua atividade será centrada no acompanhamento e na gestão das aprendizagens: o incitamento à troca dos saberes, a mediação relacional e simbólica, a pilotagem personalizada dos percursos de aprendizagem etc.”.

A velocidade com que surgem novos conhecimentos cresce a cada dia. Não só na tecnologia ou na medicina, mas em todas as áreas do conhecimento. É praticamente impossível para a área da educação acompanhar o ritmo frenético que temos hoje. O conteúdo de muitos cursos necessita de constante atualização.

Neste contexto, o educador recebe a “missão” de ensinar ao educando a distinguir uma informação relevante em meio ao grande volume de conhecimento ao qual está exposto. Saber assimilar a informação certa, e no momento correto, saber descartá-la.

Apesar dos avanços que as novas tecnologias estão proporcionando à educação, não podemos esquecer que elas são somente ferramentas para a transmissão da informação. Devemos sempre lembrar que o centro das atenções é o ser humano, o educando, pois é este quem vai assimilar as novas informações adquiridas e transformá-las em conhecimento tácito. Marc J. Rosemberg (5) faz um comentário sobre o uso das novas tecnologias na arquitetura do aprendizado em seu livro “e-Learning”: “Com o potencial do e-learning, pode ser fácil rejeitar o treinamento tradicional em sala de aula como completamente antiquado, sem valor. Embora o e-learning tenha muito com que contribuir, ele não significa o final do aprendizado em sala de aula. Na realidade, o aprendizado em sala de aula desempenhará papel exclusivo dentro de uma arquitetura de aprendizado, mas será um papel diferente do que desempenhava no passado. Interações dos grupos, soluções de problemas da empresa, avaliações de desempenho, observação de peritos, criação de cultura e trabalho em equipe são todos atributos vitais de um sistema de aprendizado global que, em muitos casos, ainda é mais adequado para experiências em sala de aula.”.

O Consultor Mundial de Performance para a Lucent Technologies, Fernando O. Lima (6), no livro “A Sociedade Digital” (2000) afirma: “Isto não significa, como os apologistas do caos poderiam imaginar, que estaríamos profetizando um processo educativo anárquico (no sentido pejorativo e não-filosófico do termo) sem o mínimo de estruturação orientadora. Ao contrário, compreendemos que a prática pedagógica/andragógica é, inevitavelmente, uma determinação de parâmetros e de balizadores que auxiliam a caminhada dos indivíduos dentro de leques de opções cada vez mais amplos que a sociedade oferece.”. Fernando completa: “Só se pode obter uma mudança na prática educativa libertando-se dos grilhões que o conteúdo impõe à educação, do tratamento massificado da educação e, principalmente, da ditadura e do arcaísmo de uma postura educacional tendo como base o magister dix que coloca nas mãos dos professores/treinadores a responsabilidade pelo processo comunicacional que faz parte desta relação. Para realizar essa mudança de enfoque, é necessário que se atue na mudança de mentalidade dos educadores/treinadores e, concomitantemente, se desenvolva uma ferramenta didática que possa vencer a contradição histórica entre o conceito de educação de massa e atendimento individual ao aluno.”.

Apesar desta nova condição educacional ser iminente, há ainda uma importante barreira a ser ultrapassada: adequar os educadores a esta nova estrutura educacional. A grande maioria dos educadores não está preparada para esta nova realidade, a começar pelo fato que está intrínseco nessa realidade: o conhecimento das novas tecnologias, ou seja, a plena interação com a informática.

Muitos dos educadores não pertencem à geração da informática. E seu conhecimento torna-se essencial na produção de aulas interativas e que façam uso da multimídia. Durante muitos anos o educador precisou apenas de um giz e uma lousa para apresentar sua aula; hoje praticamente todos já fazem uso de transparências e do retroprojetor. Não está distante o dia em que projetores multimídia e até mesmo o notebook serão equipamentos oferecidos pelas instituições educacionais para que os educadores possam apresentar suas aulas.

As instituições de ensino precisam incentivar e estimular o educador a fazer uso das novas tecnologias. Apesar da sua estrutura e material de aula terem obtido resultados positivos durante anos, é importante lembrar que o educando de hoje não é mais como o de antigamente.


(1) DERTOUZOUS, Michael. O Que Será. São Paulo: Cia. Das Letras, 1a edição, 1997.
(2) “Na Era dos Pentabytes”. Revista INFO, abril/2002. Editora ABRIL.
(3) GATES, Bill. A Estrada Do Futuro.São Paulo: Ed. Cia das Letras, 1a edição, 1995.
(4) LÉVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Ed. 34, 1a edição, 1999.
(5) ROSENBERG, Marc J.. e-Learning. São Paulo: Ed. Makron Books, 2002
(6) LIMA, Frederico O. A Sociedade Digital. Rio de Janeiro: Qualitymark Ed., 2000.




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Éric Eroi Messa é Professor da Faculdade de Comunicação - Publicidade e Propaganda – FACOM/FAAP e do MBA Profissional - Master em Tecnologia Educacional – CECUR/FAAP. É sócio-diretor da High Performance - Marketing Interativo. E-mail: eric.eroi@messa.com.br


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"Os Desafios da Educação à Distância”, Revista Qualimetria, São Paulo: FAAP/DVS Editora, núm:129, ano XIV, pág.:41, 05/2002.



Saber Global 2004, na teoria e na prática

Participei na última segunda e terça-feira (06 e 07/12/2004) do Seminário Saber Global 2004, organizado pelo Ministério da Comunicação e pela Cidade do Conhecimento da USP-SP, realizado no auditório do Palácio do Itamaraty em Brasila-DF.

Alguns podem achar necessário uma correção quanto ao uso do verbo “participar”. Afinal, eu não estava presente como palestrante, mas apenas como ouvinte. Além disso, eu também não estava nem mesmo presente no auditório, eu era de fato um espectador da transmissão via internet realizada pela RadioBrás[http://www.radiobras.gov.br] e pela Cidade do Conhecimento. Assim, meu envolvimento e interação com as ferramentas de comunicação oferecidas pelo evento em alguns momentos permitiram dizer agora que eu definitivamente “participei” do evento. Por outro lado, em outros momentos fui mero espectador, assim como quem assiste uma transmissão pela televisão; e nesse caso, utilizar o verbo “participar” soa exagerado.

O importante disso tudo foi ver, na prática, alguns dos temas que ao mesmo tempo eram temas de discussões teóricas entre os palestrantes, ou seja, a aplicabilidade das redes digitais na disseminação do conhecimento. Havia uma relação metalingüística naquilo tudo, tanto é assim que algumas vezes eu assistia à distância apresentações de palestrantes internacionais que estavam em seu país natal, e eram transmitidas também à distância para o auditório do Itamaraty. Em época de portais de networking, diria que participei de uma transmissão on-line de grau 2 de separação.

Além disso, haviam diversas possibilidades de interação. Ao entrar na página da cidade do conhecimento era possível se perder entre tantas possibilidades. Tanto era possível assistir a transmissão em vídeo com tradução simultânea em português quanto optar pela transmissão apenas em áudio com tradução simultânea em inglês. Também era possível interagir através de chat, blog, skype e e-mail.

Resolvi experimentar cada um dos recursos e entender a dinâmica que lá ocorria, deixando de lado apenas o e-mail, pois afinal, essa é uma ferramenta já conhecida. As transmissões de vídeo e áudio foram com certeza os recursos de maior utilidade no meu caso. Afinal meus compromissos em São Paulo impediam minha presença física em Brasília para assistir o evento. Assim, enquanto trabalhava, eu mantinha no canto da tela um pequeno quadro da transmissão on-line. Aqui aproveito para comentar as questões técnicas que algumas vezes deixaram-me em apuros. Primeiro há o tamanho da tela, que por ser muito pequena impede a leitura de alguns textos que apareciam na projeção do auditório. É claro que essa não é uma falha do evento, mas na verdade um problema de largura de banda da própria internet. Além disso, ainda temos que caminhar mais um pouco até desenvolvermos uma linguagem adequada para a transmissão de vídeo na internet, pois a linguagem para televisão não oferece soluções adequadas para telas pequenas, como é o caso dos vídeos na internet ou dos vídeos nos celulares.

O consumo da banda de transmissão acarreta também um outro problema: quanto maior o número de espectadores mais dificuldade cada um tem de receber a transmissão. Por conta disso muitas vezes minha transmissão era interrompida, obrigando-me a reiniciar ou em alguns casos a trocar pela transmissão via áudio (passando a ouvir o evento com tradução simultânea em inglês).

O único problema que ficou sem solução adequada ocorreu apenas no primeiro dia, quando após o almoço aconteceram quatro palestras simultâneas e por conta disso, os espectadores virtuais foram obrigados a assistir apenas aquela onde o equipamento de transmissão on-line estava instalado. Esse problema de palestras simultâneas não ocorreu no segundo dia que a propósito, pareceu o melhor dia, não só pelos temas que eram de meu interesse, mas principalmente pelo abuso de interações que geraram ao longo do dia um grande envolvimento entre participantes presenciais e virtuais. No final da tarde uma das mesas de debate foi diversas vezes interrompida por intervenções virtuais de personalidades que, como eu, estavam acompanhando o evento pela internet.

Também na terça-feira, enquanto aguardava o início das transmissões interrompidas para o almoço, resolvi testar a comunicação pelo software Skype[http://www.skype.com]. Para aqueles que não conhecem, o Skype é um software gratuito de comunicação por voz. Eu mesmo utilizei poucas vezes desde que instalei e resolvi aproveitar a oportunidade. Logo após solicitar o contato fui atendido prontamente por uma pessoa da Cidade do Conhecimento (USP-SP). Conversamos tranqüilamente, como num telefone tradicional, porém sem pagar impulsos adicionais por isso, o único custo envolvido é o valor mensal do acesso à internet que costumo pagar. Enfim, fiquei na esperança de poder passar a substituir o telefone pelo Skype com mais freqüência, principalmente para as ligações internacionais!

Outro recurso oferecido era o blog, uma página na internet onde os visitantes poderiam deixar suas opiniões sobre os temas em debate. Além dele havia o chat e o fórum para interação dos participantes virtuais. Tanto o chat como o fórum eram recursos oferecidos por um ambiente virtual de gerenciamento de conteúdo instalado pela Cidade do Conhecimento (USP-SP) chamado Moodle[http://www.moodle.org] muito eficiente e também gratuito. Tenho utilizado esse ambiente para interação com meus alunos e tenho gostado bastante. Quando entrei no chat encontrei a Profa. Lílian Starobinas (USP-BR), uma figura importante na área da Tecnologia Educacional e por conta de nossos contatos anteriores acabamos estabelecendo um bom diálogo dentro do chat, porém, todos esses recursos de interação entre os participantes virtuais foram pouco utilizados. Minha opinião pessoal é a de que os objetivos e necessidades dos participantes virtuais não passavam por essa oportunidade de troca entre eles. Como o evento ocorreu durante todo o dia, imagino que muitos estavam como eu, assistindo às palestras enquanto ao mesmo tempo desempenhavam suas atividades cotidianas no computador e assim, não tinham disponibilidade suficiente para também participar do chat.

De qualquer maneira os temas eram interessantes e as propostas apresentadas mais ainda. Vale citar inclusive o relato de Alejandro Piscitelli, Ministro da Educação da Argentina que falou sobre experiências positivas realizadas por professores argentinos envolvendo o uso do blog na educação, assim como ocorre também aqui no Brasil através de iniciativas como a minha na FAAP-SP e a da Profa. Suzana Gutierrez na UFRGS-RS, entre outros. Foi também uma ação importante para o governo federal pensar suas ações no que diz respeito ao uso da tecnologia na educação. E como bem colocou o Prof. Gilson Schwartz (USP-SP), nos últimos momentos da terça-feira, foi uma prova dos avanços obtidos desde o último evento e apesar dos pequenos problemas técnicos, a imagem final foi de uma experiência prática bem sucedida da aplicabilidade das novas tecnologias de comunicação, utilizadas pela primeira vez dentro do auditório do Itamaraty.


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Éric Eroi Messa é Professor da Faculdade de Comunicação e do MBA Profissional
Master em Tecnologia Educacional na FAAP-SP.
É sócio-diretor da High Performance — Marketing Interativo.
E-mail: eric.eroi@messa.com.br



Especialistas refletem sobre software livre

A atual fase em que vivemos é marcada por uma mudança de paradigma que vem causando muita polêmica.

Uma das primeiras iniciativas neste sentido ocorreu em 1985, quando integrantes do MIT (Massachussets institute of Technology) fundaram a Free Software Foundation, com o objetivo de promover e estimular o desenvolvimento de softwares livres, ou seja, programas onde o usuário tem acesso ao código do software, permitindo que o mesmo faça alterações de acordo com suas necessidades pessoais.

Foi a Free Software Foundation quem criou a Licença Pública Geral que ficou conhecida como Copyleft (contrapondo a outra licença denominada copyright). Ela garante que todo material sob essa licença não seja indevidamente patenteado. Ela pode ser aplicada a qualquer material onde os direitos autorais são pertinentes: softwares, livros, músicas, etc.

Diversos programas surgiram a partir dessa ideologia promovida pela Free Software Foundation mas foi Linus Torvald, até então um mero estudante finlandês, quem promoveu a revolução do mercado de softwares que vemos ocorrer nos dia. Em 1992, a partir dos diversos softwares livres já desenvolvidos até então, Linus conseguiu reuni-los num único módulo, dando origem ao sistema operacional Linux (Linus for Unix).

Apesar de Linux Torvald ser o principal responsável, sabe-se que o linux foi desenvolvido a partir da colaboração de mais de 400 mil pessoas espalhadas por todo o mundo. Desde estudantes até profissionais da área de informática empenharam horas desenvolvendo um sistema operacional que fosse gratuito. Por ter seu código aberto, o linux pode ser modificado e aprimorado por qualquer pessoa. Quando uma modificação realmente resulta numa melhoria do sistema, ela é incorporada à distribuição oficial. Desta forma é um software que sofre constantes aprimoramentos, numa velocidade difícil de ser acompanhada por uma empresa privada que fica restrita aos aprimoramentos desenvolvidos unicamente por seus funcionários.

Este sistema operacional começou a ganhar adeptos a cada ano. Hoje já mais da metade dos servidores espalhados pela internet no mundo todo funcionam com base no sistema operacional linux. Quando você acessa um site na Internet, há mais de 50% de chance de você estar acessando um site instalado sob um sistema operacional linux. Porém na outra ponta, ou seja, os usuários da Internet, ainda utilizam, na sua maioria, sistemas operacionais patenteados, base para ambientes gráficos como o Windows.

Para ganhar o mercado dos usuários comuns, os adeptos do software livre precisam ainda aprimorar o linux e os softwares que trabalham sob esse sistema pois a instalação de um software no sistema operacional linux costuma ser complicada demais para o usuário leigo. Porém é esta a preocupação atual dos desenvolvedores, que vêm obtendo excelentes resultados nesse sentido. Hoje já existem algumas versões do linux que possuem uma interface gráfica para a instalação, permitindo que o próprio usuário realize a tarefa de instalar o novo sistema operacional em seu computador. Estas distribuições do linux costumam ser acompanhadas de ambientes gráficos muito semelhantes ao Windows, além de aplicativos como editor de texto, planilhas, navegadores, leitores de e-mail, enfim, todos os principais softwares utilizados pelo usuário comum.

Estes pacotes contendo o sistema linux e todos os demais aplicativos, são distribuídos por empresas como a brasileira Conectiva que não procura obter lucro diretamente sobre a venda do pacote, já que se trata de softwares livres, mas sim através dos diversos serviços que oferece como suporte aos novos usuários que surgem a cada vez que uma distribuição do linux da Conectiva é instalado. É uma nova lógica mercadológicas que estamos vendo nascer. As empresas que atuam nesses mercados e portanto, são afetadas diretamente, deverão necessariamente vislumbrar um novo posicionamento, ou tenderão a desaparecer.

No caso do Brasil esta nova lógica de mercado, este novo paradigma do software livre parece ser uma fórmula interessante para solucionar problemas como a exclusão digital. Diversas ONGs (Organizações não governamentais) já possuem projetos em andamento que incluem a utilização do sistema linux como forma de reduzir o investimento necessário para colocar em prática seus projetos.


SILVEIRA, Sergio Amadeu da. CASSINO, João (org.).
Software Livre e Inclusão Digital. São Paulo: Editora Conrad, 2003. 339 pgs.


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Éric Eroi Messa é Professor da Faculdade de Comunicação - Publicidade e Propaganda - FACOM/FAAP e do MBA Profissional - Master em Tecnologia Educacional - CECUR/FAAP. É sócio-diretor da High Performance - Marketing Interativo. E-mail: eric.eroi@messa.com.br


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“Especialistas refletem sobre software livre”, Jornal O Estado de S. Paulo, São Paulo: OESP, Cad. Informática, pág.: I2, 06/10/03



Começa a era do software social

A próxima moda da sociedade digital serão os softwares sociais. São aplicativos que promovem redes de relacionamentos para fins sociais, profissionais, amorosos, etc. Alguns diriam que a moda já pegou, afinal, o portal de social networking da Google conhecido como Orkut (www.orkut.com) vem fazendo tanto sucesso no Brasil desde o seu lançamento que em menos de seis meses o número de brasileiros inscritos na comunidade superou até mesmo que o número de americanos, local de origem do software. Outros já diriam que o tema não é novidade, pois o uso da internet para estabelecer conexões e promover redes de relacionamentos existe desde o surgimento da própria internet, através de serviços como newsgroups, listas de discussão, fóruns, comunicadores instantâneos, etc.

A grande novidade é que portais de social networking como o Orkut conseguem integrar diferentes serviços, possuem uma interface intuitiva e provavelmente pela primeira vez, evidenciam o caráter pessoal onde é possível visualizar e realizar diferentes pesquisas dentro da rede de relacionamentos de cada usuário. Esse novo modelo de interação provavelmente servirão de referência para o surgimento de diversos softwares sociais nos próximos anos que terão aplicações específicas dentro de empresas, organizações e instituições.

A propósito, é esse caráter pessoal que está ajudando na popularização do Orkut no Brasil. Ao se cadastrar, o novo usuário deve criar uma página onde será publicado o seu perfil e sua rede de contatos. Geralmente a lista de contatos já conta com a presença de pelo menos uma pessoa, justamente aquela que o convidou para fazer parte do Orkut (só é possível inscrever-se a partir do convite de um usuário do serviço). O novo usuário poderá então acessar a página contendo o perfil desta pessoa que o convidou e a partir de lá conferir a relação de amigos desta pessoa. Provavelmente ali irá encontrar alguns amigos em comum, os quais ele poderá convidá-los a figurar na sua própria lista de contatos. Muitas vezes descobre-se por acaso que duas pessoas possuem amigos em comum, porém nunca haviam notado isso antes do Orkut. Além disso, o usuário tem acesso também há um serviço de pesquisa que permite realizar buscas pelo nome da pessoa e assim, pode encontrar com facilidade alguém em particular.

6 Graus de Separação - Não é por acaso que se vê por aí muitos comentários de que fulano encontrou amigos que não tinha contato há muitos anos e em toda mesa de bar ouve-se novamente a velha história de que o mundo é realmente muito pequeno, trazendo á tona novamente a teoria dos seis graus de separação. Essa teoria foi elaborada por Stanley Milgram em 1967 através de uma experiência realizada nos Estados Unidos. Milgram enviou diversas cartas a moradores do Nebraska e estes deveriam fazer a carta chegar até um determinado morador do estado de Massachusetts, porém deveriam enviá-la somente através de alguém conhecido. Como resultado da experiência, Milgram descobriu que as cartas que chegaram ao destinatário passaram por apenas 5,5 intermediários. Porém na primeira experiência de Milgram apenas 5% das cartas enviadas chegaram realmente ao seu destinatário. Assim, é possível que exista apenas seis pessoas entre você e o presidente do Brasil ou a Madonna, porém dificilmente poderemos pensar no mesmo número para um monge do Tibet.

O livro eletrônico Redes (http://www.wwf.org.br/publicacoes/download/livro_ea_redes/index.htm), escrito por Cássio Martinho para a organização não-governamental WWF-Brasil traz outros teorias que explicam o funcionamento das redes. Na matemática a Teoria dos Grafos, que estuda as redes e suas conexões, mostra que quanto maior o número de conexões entre os pontos de uma rede, menor será o número de intermediações entre um ponto e outro, por mais distantes que estejam e vice-versa. Em 1998, Albert-László Barabási, da Universidade de Notre Dame nos Estados Unidos, ao estudar o número de links existentes entre sites da internet, mostrou que a grande maiorias dos sites estão conectados a um número pequeno de outros sites e somente alguns poucos possuem um enorme número de links que ele chamou de hubs. A internet é, portanto, formada por milhares de pequenas redes, e estas interligadas por alguns poucos hubs.

Em 2003, Duncan J. Watts da Universidade de Columbia nos Estados Unidos realizou experiência similar a de Stanley Milgram utilizando o e-mail como forma de comunicação e descobriu que também na internet eram necessárias em media entre cindo e sete pessoas intermediando dois pontos distintos. Sua pesquisa ainda está em andamento e qualquer um pode participar inscrevendo-se no site (http://smallworld.columbia.edu).

Redes de relacionamento no Orkut - Todas essas teorias vêem servindo de referência para estudiosos das redes sociais e aparentemente tais teorias também se aplicam no Orkut. Cada usuário do Orkut possui sua pequena rede de relacionamentos. São milhares de pequenas redes, interligadas por algumas poucas pessoas que funcionam como hubs que costumam ser mais ativas e comunicativas e por isso possuem uma enorme rede de amigos. Se você acostumar-se a usar o Orkut somente entre sua rede de amigos com o passar do tempo começará a achar que em todo o lugar há sempre as mesmas pessoas. De fato, você está sempre rodeado pelas pessoas que compartilham os mesmos interesses que você. Para ampliar sua rede é preciso criar novos elos, novas conexões. Melhor será se encontrar pelo caminho a um hub, pois nesse caso essa pessoa poderá ser fonte de outras dezenas de pessoas com interesses em comum. Mas como fazer para conhecer novas pessoas? No mundo físico, freqüentar um curso ou participar de um congresso podem ser boas fontes de novos relacionamentos. No Orkut existem as comunidades temáticas. São espaços para conversas sobre temas eleitos pelos próprios usuários. Pode-se encontrar comunidades sobre milhares de temas diferentes, desde a comunidade daqueles que freqüentaram a mesma escola até aqueles que se propõem a trocar mensagens sobre Freud ou Nietzsche.

No mundo físico o elo de confiança estabelecido num novo relacionamento pode ser maior ou menor conforme a referência obtida da pessoa em particular. Costuma-se confiar mais em um psicólogo indicado por algum amigo próximo do que em outro obtido através dos classificados. No Orkut há princípios ainda mais explícitos: ao visitar o perfil de determinada pessoa é possível conferir as mensagens de testemunho deixadas pelos amigos desta pessoa. Os mesmos amigos também podem indicar diferentes níveis de confiabilidade para essa pessoa. Todas essas informações, além do próprio perfil publicado pela pessoa irão servir de referência para um novo contato.

Softwares como o Orkut podem, ao longo do tempo, ampliar a densidade de nossas redes de relacionamento, funcionando como um local de armazenamento de contatos que podem ser requisitados para eventuais necessidades, pois ao mesmo tempo em que é impossível manter um relacionamento freqüente com um número muito grande de pessoas, redes de relacionamentos não-ativas são redes inexistentes, pois não irão gerar benefício algum. Neste caso seria uma evolução da lista pessoal de telefones, porém, atualizada constantemente por cada um dos contatos e com um número bem maior de informações além do número de telefone e endereço.

Nos dias atuais, as pessoas quando atingem a fase adulta, provavelmente já não tem contato com a maioria dos seus amigos de infância. Alguns poucos amigos que seguiram a mesma área de atuação profissional podem eventualmente acabar se encontrando novamente, porém outros podem ter seguido caminhos profissionais diferentes mas eventualmente poderiam ser excelentes contatos para um novo emprego, por exemplo. Porém o elo foi perdido com o passar dos anos e essa fonte nunca seria consultada. Daqui pra frente, com o uso de ambientes como o Orkut essas pessoas poderiam estar interligadas através de suas respectivas lista de amigos, e mesmo que durante anos não houvesse mais contato entre os dois, eventualmente ambos poderiam acessar o perfil do outro para acompanhar sua evolução, sua formação profissional, etc; e em determinado momento o elo de conexão poderia ser refeito, quando surgisse a necessidade. Além disso, essa mesma pessoa poderia vir a servir como ponto de conexão com diversas outras pessoas.

Como já foi dito, devido ao grande número de ferramentas estimuladoras, o Orkut também serve como fonte de novos relacionamentos. O que ainda não foi verificado é a qualidade destes relacionamentos, pois o excesso de contatos pode gerar relacionamentos extremamente superficiais e, portanto, praticamente inexistentes.

Uma rede de relacionamentos densa, aliada a um perfil público é um novo modelo que teremos que aprender a utilizar e conviver com ele. Afinal, o Orkut só enfatiza algo que já vem acontecendo na internet, cada vez mais qualquer pessoa tem acesso a um número grande de informações sobre você, informações que em alguns casos você poderia preferir esconder. Como um profissional de um cargo público ou um ator pode tirar benefícios de um ambiente como o Orkut sem sofrer com o excesso de solicitações de contato que provavelmente irão ocorrer? E um psicólogo que tem seu perfil acessado por um de seus pacientes e este descobre amigos em comum? Como isso pode influenciar no relacionamento entre o psicólogo e seu paciente?

Pelo sim ou pelo não eu estou lá. Se quiser é só procurar. Estou mantendo minha rede e esperando pra ver no que vai dar.




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Éric Eroi Messa é Professor da Faculdade de Comunicação - Publicidade e Propaganda - FACOM/FAAP e do MBA Profissional - Master em Tecnologia Educacional - CECUR/FAAP. É sócio-diretor da High Performance - Marketing Interativo. E-mail: eric.eroi@messa.com.br


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“Começa a era do software social”, Jornal Diário do Comércio, São Paulo: Diário do Comércio - ACSP, Cad. Informática, pág.: 6, 13/07/2004.



O sucesso do desenho animado na internet

O programa Flash da Macromedia foi responsável por uma grande revolução na forma como os sites da internet são construídos. Antes do lançamento do Flash, grande parte dos sites eram estáticos, usando poucos recursos de animação. Com o surgimento do software (e a proliferação da banda larga), os novos sites desenvolvidos são cada vez mais dinâmicos e animados, incluindo recursos de áudio e vídeo.

Esse novo contexto tem gerado novas oportunidades para os profissionais da animação gráfica e digital. Excelentes desenhistas, ilustradores e animadores começaram a criar seus trabalhos fazendo uso do Flash. Qualquer profissional desta área diria que o mais importante não é o recurso tecnológico, mas o dom para desenhar e sob esse ponto de vista, os softwares surgem apenas como uma ferramenta para aplicar recursos extras e aprimorar o trabalho deste profissional. Essa afirmação é coerente, porém é importante levantar outro aspecto: os profissionais que passaram a usar o Flash para criar suas animações ganharam também um novo meio de divulgação do seu trabalho: a internet. Publicar os trabalhos na internet permitiu a alguns novos profissionais despontarem no mercado. Muitos começam criando seu próprio site e divulgando-o boca-a-boca entre amigos. Quando o trabalho é bom, só esta ação já cria um grande público em torno do site, como foi o caso do Porteiro Zé (www.porteiroze.com). Hoje o site já possui espaços para anúncios publicitários, além de servir como vitrine para seus autores. Em 2003 o personagem principal do site foi utilizado pela agência de publicidade Age Comunicações em uma campanha para a MTV.

Outro bom exemplo é o site Combo Rangers (www.comborangers.com.br) que hoje já possui uma versão em gibi e bonecos à venda no Submarino (www.submarino.com.br). Criado por Fabio Yabu há menos de cinco anos, o site Combo Rangers permitiu a ele, hoje com 23 anos, montar sua própria produtora de animações.

Também seguem o mesmo caminho os irmãos Ricardo e Rodrigo Piologo através do site Mundo Canibal (www.mundocanibal.com.br). Antes do Mundo Canibal, Ricardo realizava trabalhos em animação 3D e chegou a ganhar o prêmio de “Melhor Computação Gráfica Brasileira” do Festival AnimaMundi de 1999.

A experiência adquirida nos últimos anos estimulou os irmãos a escreverem um dos primeiros livros brasileiros sobre animação digital usando o Flash. Lançado pela editora Axcel Books, o livro Flash Animado foi escrito também em conjunto com Dauton Janota, profissional da área de internet e autor de outro livro que aborda a programação em Actionscript do Flash MX.

Os três autores buscaram escrever um livro que aborda assuntos distintos como animação, design e programação, oferecendo assim subsídios para aqueles que já possuem experiência em desenho e buscam agora aprofundar seus conhecimentos no programa Flash. Através deste livro o leitor descobre como desenhar dentro do Flash, desde a criação dos personagens e do cenário até a elaboração de toda a animação do personagem. Há inclusive um capítulo inteiro dedicado aos formatos de exportação, oferecendo dicas essenciais para a construção de uma animação adequada ao meio onde será exibida, seja a internet, a TV ou mesmo o cinema. Outro capítulo aborda a sonorização da animação, mostrando como sincronizar efeitos sonoros com o desenho animado.

Para complementar o conteúdo do livro, no site da editora (www.axcelbooks.com.br) é possível obter os arquivos fontes de todas as aplicações demonstradas no livro, algumas delas inclusive, utilizadas nas animações do site Mundo Canibal. Os interessados podem comprar o livro em qualquer livraria, ou então através do site dos autores, neste último caso com desconto, no endereço www.mundocanibal.com.br .




Flash Animado – Técnicas Avançadas em Design & Animações
Dauton Janota
Ricardo Piologo
Rodrigo Piologo
Rio de Janeiro: Editora Axcel Books, 1a edição, 2004. 236 pgs.



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Éric Eroi Messa é Professor da Faculdade de Comunicação - Publicidade e Propaganda - FACOM/FAAP e do MBA Profissional - Master em Tecnologia Educacional - CECUR/FAAP. É sócio-diretor da High Performance - Marketing Interativo. E-mail: eric.eroi@messa.com.br


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“O sucesso do desenho animado na internet”, Jornal Diário do Comércio, São Paulo: Diário do Comércio - ACSP, Cad. Informática, pág.: 6, 22/06/2004.



Google e a polêmica da privacidade

Parece que a Google, empresa que ficou famosa com seu portal de busca na internet, sabe muito bem como criar expectativa antes de lançar um novo produto no mercado, exemplo digno de um “case de marketing” sobre o lançamento bem sucedido de um novo produto.

No início de 2004 a Google começou a ampliar seus negócios lançando o ORKUT (www.orkut.com) , portal de social networking, ainda em versão beta, onde só é possível fazer parte através do convite de um usuário do portal. A estratégia deu certo. Criou expectativa, e muitos usuários da internet ficaram tão ansiosos para conhecer e utilizar o portal que chegaram a pagar até 10 dólares por um convite para acessar o Orkut, vendido por outros usuários através dos sites de leilão on-line como o e-bay.

Em 1º de abril a Google noticiou o lançamento de mais um produto, o Gmail (www.gmail.com), um serviço de e-mail gratuito que pretende oferecer 1 Gb de espaço enquanto outro serviços de e-mail gratuito oferecem apenas 1 ou 2 Mb. A notícia era tão surpreendente que se espalhou rapidamente, alguns chegaram até a questionar se não era apenas uma brincadeira de “1º de Abril” da Google. Não era. Alguns usuários foram convidados a participar do período de testes do sistema que além de oferecer um espaço grande para armazenamento das mensagens, possui um sistema inovador de rastreamento de mensagens, permitindo resgatar com facilidade todas as mensagens trocadas com uma outra pessoa, além de um sistema de busca das mensagens arquivadas de alto nível. Para ampliar o número de beta-testers, alguns usuários do Blogger (outra marca pertencente à Google – www.blogger.com) também foram convidados a criar uma conta no Gmail. Além disso, na última semana a Google começou a aplicar a mesma estratégia utilizada no Orkut: os atuais usuários do Gmail também podem convidar outros para participarem da fase de testes. Porém cada usuário do Gmail pode convidar apenas dois novos usuários. Essa limitação está gerando um alvoroço ainda maior daquele causado no lançamento do Orkut. Em menos de um mês após a divulgação do novo serviço, os convites já começaram a ser vendidos por usuário do Gmail nos leilões on-line por até 100 dólares (está à venda inclusive o endereço bin.laden@gmail.com pelo lance mínimo de 125 dólares). Vale lembrar aqui que a SpyMac (www.spymac.com) aproveitou a carona e também lançou um serviço de e-mail gratuito com capacidade de 1Gb e cadastro livre, ou seja, não é necessário nenhum convite para criar sua conta.

Mas a polêmica não pára por aí. Antes mesmo do lançamento definitivo do Gmail a Google já está sofrendo diferentes processos, um deles por conta de uma das políticas do Gmail onde o serviço afirma que todas as mensagens circuladas no sistema são armazenadas por tempo indeterminado Essa condição cria uma brecha para que essas mensagens sejam resgatas futuramente, mesmo aquelas que o usuário havia apagado da sua pasta. A Google também esta sendo processada por “invasão de privacidade” por causa do seu sistema exclusivo de filtragem publicitária. Assim como outros serviços de e-mail gratuito, a Google pretende incorporar nas mensagens de e-mail propagandas de seus anunciantes, porém tais propagandas só seriam vinculadas a e-mails que possuíssem conteúdo relacionado ao produto do anunciante. Ou seja, o sistema irá vasculhar todo o conteúdo das mensagens circuladas dentro do Gmail em busca de palavras-chave relacionadas aos produtos de seus anunciantes, caso encontre uma palavra-chave dentro do corpo da mensagem então o anúncio é inserido. Com isso a Google pretende agradar tanto seus usuários quanto seus anunciantes, pois desta forma os anúncios não seriam distribuídos aleatoriamente, mas apenas àqueles que possivelmente teriam interesse no produto, já que o conteúdo da mensagem possui contexto semelhante.

Com isso a Google abre uma discussão semelhante àquela que se iniciou alguns anos atrás, quando os primeiros cookies começaram a ser usados, instalando-se automaticamente na máquina do visitante de um determinado site. Os cookies são capazes de armazenar informações pessoais de um visitante e remetê-las ao site, permitindo, por exemplo, identificar o usuário em suas visitas posteriores. Naquela época toda a polêmica foi resolvida com a inclusão nos navegadores de um item que possibilitava ao usuário barrar a entrada de cookies de sites não-confiáveis.

A discussão sobre privacidade na internet nunca terminou, porém o surgimento do MP3 e dos serviços P2P (peer-to-peer) levantaram uma outra discussão também antiga: a questão dos direitos autorais, que ficou em alta até pouco tempo. O processo contra a Google ajudou a trazer à tona novamente a discussão sobre a privacidade na internet. Muitos defendem a opinião de que é preferível ter suas mensagens vasculhadas por um sistema automatizado do que receber publicidade não segmentada, muitas vezes sem qualquer relação com os interesses do usuário.

O fato é que a internet não é um veículo de massa como a televisão, e portanto não pode ser utilizada pela publicidade da mesma maneira. Esse é o mesmo argumento daqueles que lutam contra o spam. A publicidade parece que ainda não descobriu como atuar dentro da internet e a Google resolveu apostar no seu palpite.

A estratégia da Google parece um passo inicial para o sonho daqueles que defendem a cultura digital e lutam contra o excesso de informação provocada pela era das novas tecnologias de comunicação: a identificação dinâmica do perfil de um usuário. Num futuro próximo qualquer pessoa poderá acordar pela manhã e tomar seu café enquanto lê seu “jornal eletrônico”, feito de um material flexível que recebe imagens através da rede sem fio. Todas as notícias enviadas são atualizadas em tempo real, e selecionadas de acordo com o perfil do leitor, assim aqueles que não se interessam por esporte não receberão o caderno de esportes em seu “jornal eletrônico”, a não ser que o próprio usuário solicite, e por se tratar de um perfil com atualização dinâmica, caso o sistema identifique que determinado usuário começou a solicitar notícias de esporte com certa freqüência, o próprio sistema passará a enviar tais notícias automaticamente.

Hoje já existem outras pequenas iniciativas nessa direção. Rogério da Costa, autor do livro Cultura Digital e professor da PUC-SP costuma usar um bom exemplo: O jornal americano The New York Times colocou na internet o portal Abuzz (www.abuzz.com); trata-se de uma comunidade virtual para troca de informações, ou seja, ao postar uma dúvida dentro do portal, outros usuários podem receber e respondê-la a você. Porém não são todos os participantes da comunidade que recebem a sua dúvida. O sistema Abuzz monta um perfil dinâmico dos usuário a partir das dúvidas que cada usuário responde, assim, uma dúvida enviada ao sistema só é retransmitida para aqueles usuários que já responderam dúvidas semelhantes anteriormente. Ou seja, é mais um sistema que rastreia os passos do usuário buscando identificar seu perfil.

A Google pretende algo semelhante, pois ao rastrear o conteúdo das mensagens é capaz de identificar o perfil de cada usuário e como a empresa propõe, poderá enviar somente mensagens publicitárias potencialmente interessantes para aquele usuário. Porém fica óbvio também que esse perfil, atualizado de forma dinâmica, é uma informação extremamente valiosa que pode ser utilizada para muitos outros fins, inclusive para o envio de notícias pré-selecionadas, de acordo com os interesses do usuário/leitor, durante todos os dias pela manhã.





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Éric Eroi Messa é Professor da Faculdade de Comunicação - Publicidade e Propaganda - FACOM/FAAP e do MBA Profissional - Master em Tecnologia Educacional - CECUR/FAAP. É sócio-diretor da High Performance - Marketing Interativo. E-mail: eric.eroi@messa.com.br


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“Google e a polêmica da privacidade”, Jornal Diário do Comércio, São Paulo: Diário do Comércio - ACSP, Cad. Informática, pág.: 3, 11/05/2004.



A linguagem da cultura digital em “Kill Bill”

O cinema nunca parou de evoluir. Está cada vez mais incorporado a uma nova cultura, caracterizada pelo uso de uma linguagem híbrida, onde texto, imagem e som se fundem de uma maneira nunca realizada anteriormente. Nossa sociedade tem passado por um processo de evolução em relação ao uso que faz dos meios de comunicação. Hoje acompanhamos o surgimento freqüente de novas mídias, mais do que isso, vemos surgir uma interação entre diferentes meios, propiciada principalmente pelas mídias digitais. Essa interação entre os meios promove a fusão das linguagens próprias de cada um deles, fazendo nascer uma nova linguagem que caracteriza a cultura digital.

Assim, o cinema começa também a discutir sua própria linguagem. Este processo evolutivo traz novos elementos e possibilidades para o cinema. O filme de Quentin Tarantino, “Kill Bill” é uma bem sucedida experiência de hibridização de linguagens. É um produto da linguagem cinematográfica, mas que torna visíveis algumas características desta nova cultura digital, apesar de não utilizar um meio próprio dessa cultura. Em “Kill Bill” a linearidade do roteiro cinematográfico é discutida, mostrando que o espectador é capaz de compreender um filme não-linear. Em um filme onde tudo é previsível, a ruptura da linearidade torna-se um dos principais responsáveis pela expectativa e ansiedade gerada no espectador.

Filmes com continuação não são novidades no cinema, porém diferente da forma como o cinema tradicional costuma fazer, Tarantino dividiu o filme em duas partes que não são distintas, denominadas como “volume 1” e “volume 2”. A história iniciada na primeira parte tem seu desfecho apenas no segundo filme. Referência clara ao modelo presente nas novelas e seriados da televisão. Na verdade o que não falta são referências, principalmente aos seriados de TV e desenhos japoneses, dos mais antigos aos mais recentes. Todo o filme segue a linguagem das animações japonesas, repletas de lutas marciais, mescladas com cenas do western americano. Enquanto o “volume 1” tem uma grande passagem no Japão, o “volume 2” concentra-se no Texas, fazendo uma passagem rápida pela China e México. Mais do que isso, no “volume 1” cenas com atores reais são intercaladas por um longo trecho de desenho animado ao melhor estilo anime, que complementa o filme sem descaracterizá-lo. O desenho animado é incorporado ao filme de tal maneira que a transição entre as cenas reais e o desenho não causam um total estranhamento no espectador. Em “Kill Bill” tudo é referência. Nada é por acaso. A trilha sonora muitas vezes traz inusitados casamentos entre o contexto da cena e o contexto da música e novamente sem causar nenhum estranhamento (na maioria dos casos) ao espectador que em todo o momento fica envolvido com a trama.

Essa experiência de Tarantino tem seu clímax justamente nas últimas cenas do “volume 1”, quando diferentes interlocuções, de diferentes tempos cronológicos fundem-se, mesclando passagens e textos que quase se sobrepõem, buscando sempre uma harmonia, criada justamente para, ao invés de confundir, esclarecer todo o enredo do filme.

É provável que “Kill Bill” seja melhor compreendido por aqueles que vivem com mais intensidade as transformações geradas por essa nova cultura digital, capazes de interagir com diferentes mídias ao mesmo tempo. Muitas dessas pessoas são hábeis no domínio de jogos em três dimensões, onde o controle de direção inverte-se a cada movimento do personagem na tela, enquanto também recebem outros estímulos visuais e sonoros. São também aquelas que ouvem música eletrônica, formada pela fusão de fragmentos de outras músicas. Esse contexto permite uma leitura não comprometida com estilos e linguagens, onde, por exemplo, é possível ouvir bossa nova em versão tecno. Aliás, assim como o Dj faz uma colagem de vários gêneros musicas, Tarantino faz colagens de diversos estilos e linguagens da televisão e do cinema.

Por último, é importante dizer que o filme, por si só, não propõe nenhuma grande reflexão; é apenas produto dessa colagem de diferentes estilos, e deve ser assistido de forma descomprometida. Também não é o primeiro a realizar essas experiências, outros já o fizeram, provando mais uma vez que isso tudo é parte de um processo, uma evolução a caminho da cultura digital.


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Éric Eroi Messa é Professor da Faculdade de Comunicação - Publicidade e Propaganda - FACOM/FAAP e do MBA Profissional - Master em Tecnologia Educacional - CECUR/FAAP. É sócio-diretor da High Performance - Marketing Interativo. E-mail: eric.eroi@messa.com.br


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“A linguagem da Cultura Digital em Kill Bill”, Jornal Diário do Comércio, São Paulo: Diário do Comércio - ACSP, Cad. Cultura, pág.: 2, 21/05/2004.



1.5.06

Solução para a pirataria ?

Desde o surgimento de diferentes aparelhos e sistemas de reprodução e distribuição de informação, seja um texto, imagem ou vídeo, o mercado que detém os direitos de comercialização viram-se frente a uma nova situação que aparentemente pode quebrar toda uma lógica de mercado. Jack London, responsável pela livraria Armazém Digital no Rio de Janeiro (e em breve em São Paulo) parece que encontrou uma solução para o impasse gerado pela sociedade da informação.

A indústria fonográfica em todo o mundo luta para manter uma já tradicional lógica de mercado que hoje é visivelmente insustentável. Faz-se necessário a criação de uma nova lógica de produção e distribuição, que garanta os direitos do autor e porque não, o lucro das empresas envolvidas no processo. Afinal, o consumidor final não é um contraventor, ele não está em busca do produto pirata, ele apenas procura por um produto de qualidade e com preço acessível.

O produto pirata só existe porque vivemos em uma fase de transição onde é possível reproduzir e colocar no mercado produtos com qualidade similar àqueles produzidos por empresas que detém um direito de exclusividade e por conta disso cobram valores considerados muito elevados, pelo consumidor.

Hoje se fala muito do mercado fonográfico, mas o segmento dos livros vive esse impasse há muito mais tempo. Desde o surgimento das copiadoras o problema do direito autoral gerou um dilema que ainda não chegou ao fim. A cópia de livros, mesmo que parcial, é ilegal pois essa reprodução não cumpre o definido pela lei de propriedade intelectual. Assim, até hoje a única forma legal é a compra do livro ou o empréstimo na biblioteca. Porém são soluções que parecem não satisfazer o consumidor, principalmente os estudantes universitários.

Em São Paulo, nas últimas semanas o DEIC (Delegacia de Estelionato do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado) vistoriou diversas copiadoras, a maioria delas instaladas próximas das principais universidades e faculdades paulistas. Por conta disso a legalidade passou a imperar e todas as copiadoras passaram a recusar solicitações de cópias de livros. Os estudantes sentiram-se como as principais vítimas desta ação, pois seus professores por vezes solicitam a leitura de diferentes livros, em alguns casos apenas um ou outro capítulo de determinado livro. Muitas vezes o estudante não se encontra em situação financeira suficiente para adquirir todos os livros solicitados e, por outro lado as bibliotecas não possuem exemplares suficientes para atender a todos os alunos e há ainda aqueles livros que estão esgotados. Criou-se na verdade uma grande barreira para o acesso àquela informação, essencial para a formação do estudante. O caso dos livros esgotados é um bom exemplo para esse impasse, pois se o título encontra-se esgotado já há bastante tempo significa que não há mais interesse dos seus responsáveis na sua comercialização; por que não liberar sua livre reprodução? Nesse caso, certamente as copiadoras iriam recusar por medo da fiscalização. O DEIC cumpre seu papel e a Associação Brasileira de Direitos Reprográficos, que abriu o inquérito, apenas exige o cumprimento da lei. Ambos devem ser respeitados, pois se há algo de incoerente nisso tudo é a lógica do mercado que não atende mais à realidade da era da reprodução e da distribuição da informação.

É aqui que aparece Jack London, o primeiro a lançar uma livraria virtual no Brasil, a Booknet, que mais tarde foi vendida e passou a chamar-se Submarino. Agora London é o primeiro a lançar no Brasil uma nova proposta de modelo de negócios, que também está em fase de implantação em outros países, baseada na reprodução sob demanda. Seja um livro ou uma música, o usuário chega até a livraria, consulta um terminal e faz seu pedido, que será produzido lá mesmo e entregue em seguida. No caso da música o consumidor pode escolher faixas de diferentes artistas e montar um cd personalizado. Já em relação aos livros ele apenas escolhe o título desejado e a capa de sua preferência. Em menos de duas horas o livro é impresso e entregue ao consumidor. Tudo isso pagando todos os direitos envolvidos no processo. Quem sabe este modelo poderia ser ampliado, permitindo inclusive a reprodução de apenas alguns capítulos do livro, pagando obviamente a porcentagem equivalente. Seria a solução para o impasse vivido atualmente pelos estudantes universitários e o fim dos livros esgotados e discos raros.

Porém como todo pioneiro, Jack London parece enfrentar diversas barreiras. A negociação de tal modelo sob demanda junto com as editoras não é algo tão simples, tanto é assim que desde o lançamento da sua primeira livraria sob demanda no Rio de Janeiro, a Armazém Digital, os livros digitais disponíveis para impressão são, na sua grande maioria, títulos estrangeiros, pois fazem parte de diferentes repositórios disponíveis na internet. Parece que as editoras brasileiras estão evitando participar desta iniciativa. Por outro lado, talvez por se tratar de títulos estrangeiros, e por utilizar equipamentos de impressão sofisticados, a reprodução sob demanda ainda não oferece custos baixos, como se pode eventualmente imaginar; é o caso do título “E-Learning” de Marc Rosenberg, que custa R$129,06 para a impressão sob demanda na Armazén Digital e este mesmo título, impresso pela editora McGraw-Hill (EUA), pode ser importado pela Livraria Cultura em São Paulo por R$113,21.

Assim, o mérito de Londom não está no baixo custo final do produto, mas na estruturação de um modelo de negócios mais condizente com os dias de hoje. A saída é apostar que num futuro breve os custos destas máquinas de impressão sob demanda caiam, e outras livrarias possam também adquirir tais equipamentos. Até lá as editoras brasileiras talvez tenham acordado um modelo adequado para comercializar suas obras com as livrarias, em formato digital, reduzindo assim os custos de produção, mas garantindo seu lucro e os direitos do autor. Teremos então em pleno funcionamento uma nova lógica de mercado que pode lutar contra a pirataria diretamente através da redução do custo final do produto, sem a necessidade de se apoiar quase inteiramente no uso da fiscalização e da autoridade. A propósito, as máquinas de impressão utilizadas na Armazém Digital são da marca Xerox, prova de que até um dos maiores fabricantes do mercado de cópias está apostando no futuro da impressão sob demanda.




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Éric Eroi Messa é Professor da Faculdade de Comunicação Social e do MBA Profissional - Master em Tecnologia Educacional na FAAP-SP. É sócio-diretor da High Performance - Marketing Interativo. E-mail: eric.eroi@messa.com.br


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“Solução para a pirataria?”, Jornal Diário do Comércio, São Paulo: Diário do Comércio - ACSP, Cad. Informática, pág.: 4,5, 29/03/2005.



Software livre para Windows conquista usuários

A utilização do software livre no dia-a-dia do usuário comum cresceu bastante nos últimos anos. Grande parte destes aplicativos é distribuída sob a licença GPL (General Public Licence), criada pela Free Software Foundation, uma das principais organizações que investe na disseminação do software livre. O interesse dos programadores por softwares de código aberto auxiliou no desenvolvimento de novos aplicativos, cada vez mais práticos, simples e compatíveis com os softwares que hoje dominam o mercado, conquistando assim um número cada vez maior de usuários.

Uma das estratégias adotadas pelos programadores surgiu após a constatação de que o usuário comum costuma comprar seu computador já com o sistema operacional Windows da Microsoft instalado e assim, diferentes grupos começaram a desenvolver aplicativos que são executados tanto no sistema operacional Linux (software livre), quanto no Windows (software proprietário). Alguns dos defensores do software livre acreditam ainda que num futuro próximo o usuário comum poderá acostumar-se com esses aplicativos e eventualmente venha inclusive optar pela troca do próprio sistema operacional, passando a utilizar o Linux em suas máquinas.

Hoje o usuário que possui um computador com o sistema operacional Windows pré-instalado já pode equipar sua máquina com uma completa linha de softwares livres, atendendo assim as principais necessidades do seu dia-a-dia. Esses softwares em geral são semelhantes aos aplicativos mais utilizados no mercado, procurando oferecer os mesmos recursos e inclusive permitindo trabalhar com as mesmas extensões de arquivos. Em geral o software é obtido através do download no site oficial e em alguns casos existe ainda a alternativa de envio do cd-rom pelo correio, neste caso mediante o pagamento dos custos.


Tela do editor de texto do OpenOffice
Dentro desta categoria de softwares livres que rodam no Windows, talvez o mais famoso seja o OpenOffice 1.1.4 (www.openoffice.org), um conjunto de aplicativos para escritório semelhante ao Microsoft Office. O OpenOffice é um aplicativo de código aberto derivado do StarOffice da Sun Microsystem. Ele engloba entre outros, o aplicativo para edição de textos, planilhas e apresentações multimídias. Com ele é possível abrir os arquivos gerados em outros aplicativos, como o Microsoft Office, por exemplo e, devido seu baixo custo, tem sido adotado até mesmo por empresas comerciais e instituições do governo.


Editor de imagens Gimp 2.2

Outro aplicativo de muito sucesso é o editor de imagens Gimp 2.2 (www.gimp.org), que surge como concorrente do Photoshop.
É preciso admitir que a opção de código aberto ainda não possui todos os recursos oferecidos pelos similares de código fechado, mas com certeza atende às principais necessidades e vale a pena conhecê-la.



Navegador Firefox 1.0 da_Mozilla_Foundation


Programa para edição de páginas web NVU 0.7
O Firefox 1.0 e o Thunderbird 1.0, ambos oferecidos pela Mozilla Foundation (www.mozilla.org) surgiram recentemente e foram destaques nos últimos meses como sendo rivais de peso para o navegador Internet Explorer e o leitor de e-mails Outlook Express por serem menos vulneráveis a ataques, apesar de já existirem notícias das primeiras falhas de segurança no FireFox. O interessante é que ambos os aplicativos permitem incluir plug-ins que oferecem diversos recursos adicionais como, por exemplo, o plug-in que insere uma barra que indica o clima da região. Além disso, o Thunderbird possui um recurso anti-spam que consegue aprimorar seu filtro de mensagens conforme é utilizado, além de permitir a leitura de arquivos RSS e ATOM, formato que permite a distribuição de notícias on-line e blogs. O Outlook Express ainda não suporta arquivos no formato RSS e ATOM.

Para aqueles que pretendem editar páginas web, uma solução de código aberto é o NVU 0.7 (www.nvu.com). Ele possui um bom sistema de gerenciamento de sites, permitindo publicar os arquivos diretamente do NVU para o provedor de hospedagem, porém carece ainda de vários recursos para se tornar equivalente ao seu principal concorrente, o Dreamweaver da Macromedia. É possível que a distância que separa os dois aplicativos se reduza, já que a primeira versão do NVU foi lançada recentemente e, portanto deve receber novas contribuições de seus desenvolvedores em breve, até alcançar a versão 1.0.

Há ainda diversos outros softwares livres que podem atender as necessidades especificas de cada usuário. O VirtualDub 1.5 (www.virtualdub.org) é um aplicativo para captura e edição de vídeos; já o Sodipodi 0.34 (sourceforge.net/projects/sodipodi) é um programa de edição vetorial, assim como o CorelDraw e o Illustrator e por fim (neste texto, é claro) há o aplicativo de código aberto Blender 2.36 (www.blender.org), destinado à criação de objetos 3D.

Enfim, existem diversos softwares livres para Windows que atendem a diferentes necessidades, mas o fato é que a maioria deles são projetos recentes e seus aplicativos ainda encontram-se em suas primeiras versões, ao contrário dos softwares proprietários como o Photoshop que já se encontra em sua oitava versão ou o CorelDraw que atualmente está na versão 12.0. Há ainda um longo caminho a percorrer até que os softwares livres adquiram qualidade suficiente para superar seus similares proprietários, mas os programadores envolvidos em tais projetos demonstram interesse em alcançar seus rivais o mais breve possível.

Vale lembrar que nem todo software livre é necessariamente gratuito. Os aplicativos de código aberto em geral estão disponíveis para que qualquer pessoa possa realizar alterações e distribuí-los, cobrando por isso se achar adequado. Na maioria dos casos a cobrança é feita quando envolve gastos com material, transporte ou quando há a contratação de suporte técnico junto com a obtenção do software. Todos os aplicativos citados aqui podem ser obtidos gratuitamente através do download em seus respectivos sites.



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Éric Eroi Messa é Professor da Faculdade de Comunicação e do MBA Profissional - Master em Tecnologia Educacional na FAAP-SP. É sócio-diretor da High Performance - Marketing Interativo. E-mail: eric.eroi@messa.com.br


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“Software livre para Windows conquista usuários”, Jornal Diário do Comércio, São Paulo: Diário do Comércio - ACSP, Cad. Informática, pág.: 4, 22/02/2005.