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2.5.06

Saber Global 2004, na teoria e na prática

Participei na última segunda e terça-feira (06 e 07/12/2004) do Seminário Saber Global 2004, organizado pelo Ministério da Comunicação e pela Cidade do Conhecimento da USP-SP, realizado no auditório do Palácio do Itamaraty em Brasila-DF.

Alguns podem achar necessário uma correção quanto ao uso do verbo “participar”. Afinal, eu não estava presente como palestrante, mas apenas como ouvinte. Além disso, eu também não estava nem mesmo presente no auditório, eu era de fato um espectador da transmissão via internet realizada pela RadioBrás[http://www.radiobras.gov.br] e pela Cidade do Conhecimento. Assim, meu envolvimento e interação com as ferramentas de comunicação oferecidas pelo evento em alguns momentos permitiram dizer agora que eu definitivamente “participei” do evento. Por outro lado, em outros momentos fui mero espectador, assim como quem assiste uma transmissão pela televisão; e nesse caso, utilizar o verbo “participar” soa exagerado.

O importante disso tudo foi ver, na prática, alguns dos temas que ao mesmo tempo eram temas de discussões teóricas entre os palestrantes, ou seja, a aplicabilidade das redes digitais na disseminação do conhecimento. Havia uma relação metalingüística naquilo tudo, tanto é assim que algumas vezes eu assistia à distância apresentações de palestrantes internacionais que estavam em seu país natal, e eram transmitidas também à distância para o auditório do Itamaraty. Em época de portais de networking, diria que participei de uma transmissão on-line de grau 2 de separação.

Além disso, haviam diversas possibilidades de interação. Ao entrar na página da cidade do conhecimento era possível se perder entre tantas possibilidades. Tanto era possível assistir a transmissão em vídeo com tradução simultânea em português quanto optar pela transmissão apenas em áudio com tradução simultânea em inglês. Também era possível interagir através de chat, blog, skype e e-mail.

Resolvi experimentar cada um dos recursos e entender a dinâmica que lá ocorria, deixando de lado apenas o e-mail, pois afinal, essa é uma ferramenta já conhecida. As transmissões de vídeo e áudio foram com certeza os recursos de maior utilidade no meu caso. Afinal meus compromissos em São Paulo impediam minha presença física em Brasília para assistir o evento. Assim, enquanto trabalhava, eu mantinha no canto da tela um pequeno quadro da transmissão on-line. Aqui aproveito para comentar as questões técnicas que algumas vezes deixaram-me em apuros. Primeiro há o tamanho da tela, que por ser muito pequena impede a leitura de alguns textos que apareciam na projeção do auditório. É claro que essa não é uma falha do evento, mas na verdade um problema de largura de banda da própria internet. Além disso, ainda temos que caminhar mais um pouco até desenvolvermos uma linguagem adequada para a transmissão de vídeo na internet, pois a linguagem para televisão não oferece soluções adequadas para telas pequenas, como é o caso dos vídeos na internet ou dos vídeos nos celulares.

O consumo da banda de transmissão acarreta também um outro problema: quanto maior o número de espectadores mais dificuldade cada um tem de receber a transmissão. Por conta disso muitas vezes minha transmissão era interrompida, obrigando-me a reiniciar ou em alguns casos a trocar pela transmissão via áudio (passando a ouvir o evento com tradução simultânea em inglês).

O único problema que ficou sem solução adequada ocorreu apenas no primeiro dia, quando após o almoço aconteceram quatro palestras simultâneas e por conta disso, os espectadores virtuais foram obrigados a assistir apenas aquela onde o equipamento de transmissão on-line estava instalado. Esse problema de palestras simultâneas não ocorreu no segundo dia que a propósito, pareceu o melhor dia, não só pelos temas que eram de meu interesse, mas principalmente pelo abuso de interações que geraram ao longo do dia um grande envolvimento entre participantes presenciais e virtuais. No final da tarde uma das mesas de debate foi diversas vezes interrompida por intervenções virtuais de personalidades que, como eu, estavam acompanhando o evento pela internet.

Também na terça-feira, enquanto aguardava o início das transmissões interrompidas para o almoço, resolvi testar a comunicação pelo software Skype[http://www.skype.com]. Para aqueles que não conhecem, o Skype é um software gratuito de comunicação por voz. Eu mesmo utilizei poucas vezes desde que instalei e resolvi aproveitar a oportunidade. Logo após solicitar o contato fui atendido prontamente por uma pessoa da Cidade do Conhecimento (USP-SP). Conversamos tranqüilamente, como num telefone tradicional, porém sem pagar impulsos adicionais por isso, o único custo envolvido é o valor mensal do acesso à internet que costumo pagar. Enfim, fiquei na esperança de poder passar a substituir o telefone pelo Skype com mais freqüência, principalmente para as ligações internacionais!

Outro recurso oferecido era o blog, uma página na internet onde os visitantes poderiam deixar suas opiniões sobre os temas em debate. Além dele havia o chat e o fórum para interação dos participantes virtuais. Tanto o chat como o fórum eram recursos oferecidos por um ambiente virtual de gerenciamento de conteúdo instalado pela Cidade do Conhecimento (USP-SP) chamado Moodle[http://www.moodle.org] muito eficiente e também gratuito. Tenho utilizado esse ambiente para interação com meus alunos e tenho gostado bastante. Quando entrei no chat encontrei a Profa. Lílian Starobinas (USP-BR), uma figura importante na área da Tecnologia Educacional e por conta de nossos contatos anteriores acabamos estabelecendo um bom diálogo dentro do chat, porém, todos esses recursos de interação entre os participantes virtuais foram pouco utilizados. Minha opinião pessoal é a de que os objetivos e necessidades dos participantes virtuais não passavam por essa oportunidade de troca entre eles. Como o evento ocorreu durante todo o dia, imagino que muitos estavam como eu, assistindo às palestras enquanto ao mesmo tempo desempenhavam suas atividades cotidianas no computador e assim, não tinham disponibilidade suficiente para também participar do chat.

De qualquer maneira os temas eram interessantes e as propostas apresentadas mais ainda. Vale citar inclusive o relato de Alejandro Piscitelli, Ministro da Educação da Argentina que falou sobre experiências positivas realizadas por professores argentinos envolvendo o uso do blog na educação, assim como ocorre também aqui no Brasil através de iniciativas como a minha na FAAP-SP e a da Profa. Suzana Gutierrez na UFRGS-RS, entre outros. Foi também uma ação importante para o governo federal pensar suas ações no que diz respeito ao uso da tecnologia na educação. E como bem colocou o Prof. Gilson Schwartz (USP-SP), nos últimos momentos da terça-feira, foi uma prova dos avanços obtidos desde o último evento e apesar dos pequenos problemas técnicos, a imagem final foi de uma experiência prática bem sucedida da aplicabilidade das novas tecnologias de comunicação, utilizadas pela primeira vez dentro do auditório do Itamaraty.


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Éric Eroi Messa é Professor da Faculdade de Comunicação e do MBA Profissional
Master em Tecnologia Educacional na FAAP-SP.
É sócio-diretor da High Performance — Marketing Interativo.
E-mail: eric.eroi@messa.com.br